A KG-Services perdeu o concurso para continuar a assegurar serviços de limpeza nos edifícios da presidência do Conselho de Ministros, da Comissão de Recrutamento e Seleção para a Administração Pública e do Instituto Nacional de Estatística. Desde o início de julho, já são outras empresas a prestar esse serviço e o sindicato STAD denuncia que os trabalhadores não receberam da KG-Services o salário de junho e o subsídio de férias.
O sindicato diz que contactou a empresa, mas "sem resultado porque a empresa não reage corretamente e responde de forma provocatória". Por essa razão, já requereu ao Ministério do Trabalho uma reunião urgente com a KG-Services para tentar resolver a situação. E prepara-se para avançar com uma ação judicial, apelando aos trabalhadores que levem os seus recibos de salário à sede do sindicato. "A KG-Services não se vai ficar a rir com os nossos direitos e salários", promete o STAD.
Também o Bloco de Esquerda, através da deputada Isabel Pires, pediu explicações à ministra Ana Mendes Godinho sobre esta situação, referindo que "com salários baixos e sem receberem qualquer vencimento há mais de um mês, estes trabalhadores e estas trabalhadoras enfrentam situações pessoais insustentáveis, em que a falta de rendimentos atinge necessariamente o núcleo fundamental das suas obrigações e contexto familiar, o que exige a imediata resolução deste incumprimento por parte da empresa".
A deputada bloquista lembra que embora estejam formalmente ao serviço desta empresa intermediária, estes trabalhadores e trabalhadoras cumprem funções permanentes nos edifícios do Estado e que "este incumprimento grosseiro dos direitos laborais ocorre no contexto do desempenho de funções, não só em organismos públicos tutelados pelo Governo, mas mesmo na área governativa com a responsabilidade da coordenar a própria atividade do Governo", o que confere ao executivo "particular responsabilidade e dever de atuação sobre esta matéria".
Isabel Pires acrescenta ainda que esta empresa já tem "um historial conhecido de incumprimento das suas obrigações, com vários casos de atraso no pagamento de salários" e que apesar disso continua a sua atividade em grande parte beneficiando de contratos com organismos do Estado ou com financiamento público.