Há muitas Odemiras", o que falta é criminalizar quem lucra com o trabalho forçado

27 de maio 2021 - 15:50

Na praia do Samouco, Catarina Martins denunciou problemas ambientais e de direitos humanos na apanha de bivalves. Lembrou que é preciso testar e vacinar para combater aumentos de casos de covid e afirmou que o Congresso do MEL foi espelho da “desagregação em que a direita se encontra”.

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Catarina Martins na praia do Samouco - Foto esquerda.net
Catarina Martins na praia do Samouco - Foto esquerda.net

A coordenadora do Bloco de Esquerda esteve, na manhã desta quinta-feira, na praia do Samouco, Alcochete, onde começou por afirmar: “Aqui na praia do Samouco, no Tejo, há centenas de pessoas, talvez até milhares, porque ninguém sabe exatamente o número de pessoas, que ocupam toda esta área duas vezes por dia, nas marés baixas, na apanha do bivalve”.

Catarina Martins apontou que as pessoas que trabalham na apanha dos bivalves estão dependentes, uma vez que a amêijoa não pode ser consumida, pois é um perigo para a saúde pública, se não for depurada. “Como aqui não há nenhuma depuradora, quem apanha aqui bivalve para sobreviver fica dependente das máfias que levam a amêijoa contaminada para Espanha, para ser depurada”.

Salientado que “há muitas Odemiras”, Catarina Martins defendeu que, por isso, é preciso criminalizar quem lucra com o trabalho forçado, lembrando que esta quarta-feira o “Bloco apresentou uma proposta para criminalizar todas as pessoas que lucram com o abuso do trabalho forçado, com o abuso dos direitos humanos dos trabalhadores”.

Ainda sobre a apanha de bivalves, a coordenadora bloquista defendeu a necessidade de uma depuradora. “Se existir aqui uma depuradora, as pessoas vendem o bivalve à depuradora e acaba-se o poder das máfias sobre estes trabalhadores”, frisou e apresentou três propostas.

Em primeiro lugar, “criminalizar toda a cadeia que ganha dinheiro através do abuso dos direitos humanos do trabalho forçado em Portugal, em qualquer setor”.

Em segundo lugar, “garantir sempre a avaliação do impacto ambiental, porque temos neste momento práticas intensivas que estão a destruir os recursos naturais do país”.

Em terceiro lugar, “aqui na apanha da amêijoa, encontrar uma forma de acabar com as máfias, que é tão simples como criar uma depuradora, para que a amêijoa que é aqui apanhada seja aqui tratada de uma forma legal”.

Testar, testar, testar – vacinar, vacinar, vacinar”

A coordenadora bloquista foi questionada pelos jornalistas sobre o aumento das infeções covid na região de Lisboa e Vale do Tejo e sobre a alteração da matriz de risco.

Catarina Martins começou por afirmar que é necessária uma comunicação clara, avisando que a alteração de critérios torna muitas vezes “mais difícil” a comunicação do risco à população.

Sublinhando que o Bloco, ao mesmo tempo que apela a que “todos tenhamos em atenção que a pandemia não acabou e temos de ter comportamentos responsáveis”, disse que é preciso “não esquecer que há políticas públicas fundamentais: Testar, testar, testar, vacinar, vacinar, vacinar”

Defendeu também que é necessário “garantir as condições laborais e as condições de respeito e apoio social a todas as pessoas que têm de ficar em isolamento profilático”, e lembrou que os trabalhadores precários não têm esta proteção. Além disso, alertou que “temos picos de testagem, mas não uma testagem continuada”.

Congresso do MEL foi espelho da “desagregação em que a direita se encontra”

Questionada sobre a convenção do Movimento Europa e Liberdade (MEL), afirmou: “Eu não percebi muito bem. Foi anunciado um grande encontro das direitas sobre o futuro do país. Não foi nem encontro nem teve nenhuma proposta para o país”.

Foi o “espelho da absoluta incapacidade e da situação de desagregação em que a direita se encontra”, concluiu Catarina Martins.