Há menos desempregados, mas também há menos empregados

07 de novembro 2013 - 16:02

Diante dos dados do INE, que assinalam uma descida da taxa de desemprego para 15,6% no terceiro trimestre, 0,8 pontos percentuais abaixo do trimestre anterior e menos 0,2 pontos que no mesmo período de 2012, a deputada Mariana Aiveca lembra que há menos 100 mil empregados do que há um ano e que 10 mil pessoas emigram todos os meses.

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Desemprego caiu, mas número de pessoas empregadas caiu mais. Foto de Paulete Matos

A taxa de desemprego em Portugal foi de 15,6% no terceiro trimestre, o que dá 0,8 pontos percentuais abaixo do trimestre anterior e menos 0,2 pontos que no mesmo período de 2012, segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE).

O Inquérito ao Emprego do INE, entre julho e setembro regista que a população desempregada foi de 838,6 mil pessoas, o que representa uma diminuição homóloga de 3,7% e uma diminuição trimestral de 5,3% (menos 32,3 mil e menos 47,4 mil pessoas, respetivamente).

Os partidos do governo aproveitaram para afirmar que esse resultado significa que o país está a sair da recessão, e que se trata dos “primeiros sinais de recuperação”.

Há menos 100 mil pessoas a trabalhar

Mas a deputada do Bloco de Esquerda Mariana Aiveca lembrou que há menos 100 mil portugueses empregados em relação há um ano e que 10 mil emigram todos os meses.

"Comparando também a taxa de emprego, ou seja, as pessoas que estão a trabalhar, verificamos que, face a 2012, também há menos 100 mil pessoas a trabalhar", afirmou.

Para o Bloco, a descida do desemprego tem de ser lida à luz da "taxa de emigração, que galopa, naturalmente", sublinhando que há "cerca de 10 mil pessoas que abandonam o país, por mês".

"O governo pode fazer daqui um grande alarido, dizendo que o desemprego está a descer, contrariando as suas próprias previsões, mas qualquer leitura tem de ter sempre a abordagem da população empregada", disse Mariana Aiveca, reforçando que os números "têm de ser vistos de uma forma integrada e não desgarrada".

Razões de sazonalidade

Para a CGTP, a queda do desemprego deve-se a razões de sazonalidade e ao aumento de portugueses que vão trabalhar para o estrangeiro.

"Em primeiro lugar, estamos a falar de um trimestre marcado pela sazonalidade. Em segundo lugar estamos a falar de emprego e desemprego, e não podemos esquecer o fluxo significativo de emigração que tem ocorrido nos últimos meses", observou o secretário-geral, Arménio Carlos.

O líder da CGTP sublinhou que há "milhares de pessoas" a sair de Portugal à procura de trabalho, porque não conseguem empregar-se no seu país, e que essa emigração é refletida numa baixa da taxa de desemprego.

"Isso não quer dizer que as coisas estejam melhores, porque se estivessem melhores não era o próprio governo, na apresentação do Orçamento do Estado para 2014, a apresentar uma visão de aumento do desemprego", acrescentou.

Embuste

Também o PCP considerou que a redução da taxa de desemprego é um "embuste", devendo-se essencialmente à diminuição da população residente em Portugal, ao aumento da emigração e não a qualquer retoma da economia portuguesa.