Greve nacional dos farmacêuticos do SNS com adesão de cerca de 90%

20 de setembro 2023 - 11:19

Perante o silêncio e a indisponibilidade por parte do Ministério da Saúde no sentido de “iniciar um processo negocial sério”, os farmacêuticos do Serviço Nacional de Saúde (SNS) voltaram esta terça-feira a promover uma paralisação.

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Farmacêuticos do SNS protestaram em junho junto ao Ministério da Saúde. Foto Tiago Petinga/Lusa

"Vamos chegar aos 90% (..). Não há motivo nenhum para as pessoas desmobilizarem. Pelo contrário, as pessoas estão cada vez mais revoltadas de não nos ligarem nenhuma", disse Henrique Reguengo, presidente do Sindicato Nacional dos Farmacêuticos (SNF), em declarações à Lusa.

Pela manhã, dezenas de profissionais concentraram-se em frente ao Ministério da Saúde, em Lisboa, munidos de vários cartazes e de uma faixa onde se lia "Farmacêuticos do SNS em luta! Pela saúde de todos!".

O SNF acusa o Ministério da Saúde de se manter em silêncio, sem manifestar qualquer intenção de “iniciar um processo negocial sério”.

Logo no primeiro mês do ano, a tutela reuniu com a estrutura sindical, mas o encontro foi, de acordo com o SNF, uma “absoluta desilusão”. Os encontros posteriores também não produziram avanços significativos.

Em julho, o SNF entregou um pré-aviso de greve do qual constam duas paralisações nacionais, a 24 de julho e 19 de setembro, e duas distritais, de 5 e 12 de setembro. A 5 de setembro a greve abrangeu os farmacêuticos dos distritos de Beja, Évora, Faro, Lisboa, Portalegre, Santarém e Setúbal e nas regiões autónomas dos Açores e da Madeira e no dia 12 os de Braga, Bragança, Porto, Viana do Castelo, Vila Real, Aveiro, Castelo Branco, Coimbra, Guarda, Leiria e Viseu.

Aquando a entrega do pré-aviso de greve, a estrutura sindical assinalou que, “contrariamente ao que se verifica com outras estruturas sindicais da área da saúde, que têm mantido negociações com o Ministério mesmo com protestos e greves agendadas e a decorrer, a reunião agendada com o SNF para 2 de junho foi adiada".

No último dia de greve distrital, a 12 de setembro, Henrique Reguengo sublinhou que, seis anos depois da criação da carreira, "tudo o que devia ter sido feito não foi feito": "Pior do que isso, o Governo nem sequer inicia o diálogo prometido com o sindicato", acrescentou.

À época, o dirigente sindical questionou a tutela: "Temos quadros insuficientes, mas depois temos 80% das pessoas na base da carreira e uma tabela salarial de 1999. Se temos falta de pessoal e condições de trabalho deste teor, como é que chamamos as novas gerações para o SNS?".

O presidente do SNF denunciou ainda a sangria de farmacêuticos do SNS com experiência, "que deviam estar a ensinar as novas gerações", nas três especialidades de atuação - farmácia hospitalar, análises clínicas e genética humana.

Além das greves que arrancaram a 24 de julho, os farmacêuticos já tinham parado três dias em junho, para exigir um avanço nas negociações com o Governo.

Entre as reivindicações do SNF figuram a atualização das grelhas salariais, a contagem integral do tempo de serviço no SNS para a promoção e progressão na carreira, a adequação do número de farmacêuticos às necessidades do serviço público e o reconhecimento por parte do Ministério da Saúde do título de especialista.