Os tripulantes portugueses da Ryanair estão em greve nesta quarta-feira, que prosseguirá nos póximos quatro dias, até domingo 25 de agosto. Esta greve é a quarta no prazo de um ano e meio e foi convocada pelo Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil (SNPVAC).
Em declarações à TVI, tripulantes em greve lembram que “os trabalhadores não têm subsídio de férias, não têm subsídio de Natal, não têm os 22 dias úteis de férias, como obriga a lei” e denunciam que há “trabalhadores contratados através de empresas de trabalho temporário em alguns casos há 12 anos”.
Estes tripulantes acusam a Ryanair de ter preparado a greve de forma ilegal, dando um exemplo da base de Faro em que “dos nove aviões que estava previsto saírem hoje de manhã, cinco deles foram ontem à noite para outras cidades da Europa vazios, para depois durante o dia, operarem os voos que estavam designados à base de Faro”. A denúncia desta situação foi feita à ACT (Autoridade para as Condições de Trabalho).
À RTP3, outro tripulante denuncia que há trabalhadores com contratos de 9 meses, “aos quais foi prometido que ficariam na base com um alargamento do contrato por mais dois meses e meio”.
O SNPVAC denuncia as ilegalidades na atuação da Ryanair e criticou duramente os serviços mínimos, decretados pelo governo. Luciana Passos, presidente do SNPVAC, sublinhou que o governo português tem obrigação de garantir que a Ryanair cumpra a legislação portuguesa.
Bloco de Esquerda solidário com grevistas da Ryanair
“Garantir que a Ryanair cumpre a lei portuguesa é daqueles serviços mínimos que um governo devia assegurar”, afirmou o deputado bloquista Jorge Costa na rede social Twitter, dando os exemplos do “subsídio de férias e Natal, 22 dias úteis de férias, não ficar 12 anos em regime de trabalho temporário”.
Garantir que a @Ryanair cumpre a lei portuguesa é daqueles serviços mínimos que um @GovPT devia assegurar. Subsídio de férias e de natal, 22 dias de férias, não ficar 12 anos em trabalho temporário. Essas coisas #Solidariedade com grevistas #Ryanairstrike https://t.co/9VcQYdKBbF
— Jorge Costa (@jorgecosta) August 21, 2019
Sindicatos belgas denunciam Ryanair
Segundo a Reuters, sindicatos belgas apelaram aos seus filiados para não substituírem os tripulantes portugueses em greve, denunciando que a Ryanair decidiu “importar” o conflito para a Bélgica. Esta substituição de trabalhadores em greve é uma “violação do direito de greve”, denunciou o SPVAC.
A agência refere que sindicatos da Irlanda, da Grã-Bretanha, da Espanha e de Portugal anunciaram a convocação de greves para as próximas semanas, lembrando que estas paralisações se verificam um ano depois de uma onda de greves que obrigou a Ryanair a cancelar centenas de voos.
Em Espanha, a empresa anunciou o encerramento das bases de Grã-Canária e Tenerife, e provavelmente também Girona, e os sindicatos marcaram 10 dias de greve para o próximo mês.
Segundo o El Pais, os sindicatos USO e Sitcpla marcaram greve de tripulantes da Ryanair para os próximos dias 1, 2, 6, 8, 13, 15, 20, 22, 27 e 29 de setembro, após o fracasso de uma reunião de mediação de sete horas entre os sindicatos e a empresa. Segundo a central USO, o encerramento das três bases provocará o despedimento de 350 tripulantes e 150 pilotos.
Ryanair consegue proibir greve de pilotos na Irlanda e tenta o mesmo no Reino Unido
Os pilotos da Ryanair das bases da Irlanda e do Reino Unido convocaram greve para os dias 22 e 23 de agosto e de 2 a 4 de setembro, exigindo melhorias salariais e de condições de trabalho. Na Irlanda, o Tribunal Superior de Dublin decretou a proibição da greve, aceitando a argumentação da empresa de que o sindicato terá supostamente anunciado a greve sem as negociações terminarem. Em relação ao Reino Unido, a empresa tenta também que um tribunal londrino proíba a greve dos pilotos.
SNPVAC reúne com ministro das Infraestruturas
Segundo o sindicato, a reunião será às 16h "para discutir a situação laboral da companhia aérea 'low cost' Ryanair", nomeadamente “todas as questões ligadas à aplicação da legislação portuguesa, ilegalidades recorrentes e o possível encerramento da base de Faro".