Greve na Função Pública a 27 de outubro contra política de empobrecimento do PS

09 de outubro 2023 - 18:07

Frente Comum considera proposta de aumento salarial na Administração Pública “miserabilista” e acusa Governo de colocar os lucros das grandes empresas à frente dos direitos dos trabalhadores, com a conivência do PSD/CDS, da Iniciativa Liberal e do Chega.

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Foto da Frente Comum.

Esta segunda-feira, a Federação Nacional dos Sindicatos dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais (Frente Comum) anunciou que os trabalhadores da Administração Pública estarão em greve nacional a 27 de outubro pelo aumento dos salários em pelo menos 15%, com um mínimo de 150 euros por trabalhador, contra o brutal aumento do custo de vida, pelo reforço dos direitos, por melhores condições de vida e laborais na Administração Pública, pela urgente valorização do trabalho e dos trabalhadores e pelo reforço das Funções Sociais do Estado.

O coordenador da Frente Comum, Sebastião Santana, destacou que a contraproposta o Governo relativamente ao aumento salarial na Função Pública “é miserabilista”. O dirigente sindical diz que, “perante a capacidade de resposta que o país tem neste momento”, fazer “uma proposta de 52 euros com 3% de aumento” é “obrigar os trabalhadores da Administração Pública a continuar a empobrecer”. Sebastião Santana garantiu que “os trabalhadores rejeitam absolutamente este caminho”.

Neste contexto, a Frente Comum, afeta à CGTP, que tem ficado de fora do acordo de valorização dos funcionários públicos assinado entre governo e os dois sindicatos da UGT (FESAP e STE), decidiu “marcar uma greve nacional dos trabalhadores da Administração Pública para o próximo dia 27 de outubro”.

Sebastião Santana explicou que “esta greve ocorrerá, porque os trabalhadores foram empurrados para ela”, já que “o Governo, tendo soluções, decidiu não as pôr em prática”.

O dirigente sindical esclareceu ainda que o objetivo desta ação de luta é convencer o Governo a “alterar a sua proposta e, de uma vez por todas, interromper este caminho de empobrecimento”.

A Frente Comum reivindica um aumento salarial de 15% com um mínimo de 150 euros por trabalhador. Já o executivo socialista colocou em cima da mesa um aumento salarial de 52,11 euros por trabalhador, num mínimo de 3% a partir dos 1807 euros.

A federação sindical exige igualmente que a Base Remuneratória da Administração Pública (BRAP), ou seja, o salário mínimo no Estado, aumente dos atuais 769,20 euros para 920 euros. O PS não pretende ir além dos 821,31 euros brutos por mês.

A Frente Comum solicitou uma reunião suplementar ao Governo para esta segunda-feira, que foi recusada pelo Governo por falta de agenda, pelo que a estrutura sindical decidiu então avançar para esta paralisação de 24 horas.

A greve vai ocorrer ainda antes da discussão na generalidade do Orçamento do Estado, agendada para 30 e 31 de outubro.