De acordo com o presidente do Sindicato dos Técnicos de Emergência Pré-Hospitalar (STEPH), Rui Lázaro, algumas ambulâncias encerraram à meia-noite e mantiveram-se assim mesmo após o início do turno das 8h. A greve deixou ambulâncias paradas na Área Metropolitana do Porto, Lisboa, Viseu, Coimbra e Algarve.
“E assim permanecerão o resto do dia”, enfatizou o dirigente sindical em declarações à agência Lusa.
Rui Lázaro explicou que esta paralisação resulta do descontentamento dos TEPH, que pretendem “passar uma mensagem clara ao INEM e ao Governo de que pretendem ver as suas reivindicações satisfeitas”.
Os profissionais insurgem-se contra o “desrespeito continuo e grave dos direitos laborais dos TEPH”, adiantou o presidente do STEPH. Rui Lázaro denunciou, inclusive, que têm sido retiradas horas de trabalho mensalmente “de forma ilegal”.
“São subtraídas horas de trabalho aos técnicos de forma ilegal mensalmente. Um técnico cumpre o seu horário normal de trabalho, faz ainda trabalho extraordinário para depois, no mês seguinte, o INEM lhe dizer que afinal ficou a dever horas”, detalhou o dirigente sindical.
Como exemplo, referiu o caso de um estudante-trabalhador a quem descontam horas quando este se ausenta para ir fazer um exame, uma ausência "perfeitamente justificada".
Segundo Rui Lázaro, as más condições de trabalho e o desrespeito pelos trabalhadores e pelos seus direitos tem levado à saída de muitos profissionais. Só este mês foram 40.
“No dia 1 de abril, 26 técnicos passaram do INEM para Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil, com um ordenado por vezes inferior ao que auferem no INEM, mas fogem destas condições”, apontou.
“Isto é nosso grito de revolta, para que a tutela olhe para nós, resolva os nossos problemas, mude o rumo que o INEM tem levado, de forma a que os técnicos possam querer ficar a trabalhar no INEM e também para que os concursos, que entretanto têm sido abertos e têm ficado vazios, possam ser preenchidos”, rematou.
Ainda que a greve decorra por tempo indeterminado, e que não estejam previstos serviços mínimos, o sindicato garante que os técnicos irão assegurar a operacionalidade dos meios do INEM em caso de catástrofe ou numa situação excecional.