Greve de tripulantes este mês leva EasyJet a cancelar 350 voos em Portugal

12 de julho 2023 - 11:10

Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil informa que a transportadora aérea cancelou até ao momento 69% dos voos que partiriam do Porto, Lisboa e Faro entre 21 e 25 de julho. EasyJet é acusada de ter um “regime de rentabilidade máxima e remuneração mínima”.

PARTILHAR
Aviões da EasyJet. Foto Riik@mctr/Flickr.

“Esta era uma greve que poderia ser evitada se houvesse vontade da empresa para que tal não acontecesse, mas a EasyJet parece estar apostada em não voltar às negociações com o pré-aviso de greve, tendo já cancelado 69% dos voos, isto é, 350 voos que partiriam das bases do Porto, Lisboa e Faro para os dias de greve, a realizar nos dias 21, 22, 23, 24 e 25 de julho de 2023”, informou o Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil (SNPVAC), em comunicado citado pela agência Lusa.

Na passada quinta-feira, os associados do sindicato repudiaram, com 90% dos votos contra, a proposta da companhia aérea para aumentos salariais. Mediante a indisponibilidade demonstrada pela empresa para encetar novas negociações, foram agendados cinco dias de greve entre 21 e 25 de julho. Esta é a terceira paralisação em apenas poucos meses.

Na base do protesto está a reivindicação, por parte dos tripulantes de cabine das bases portuguesas, de condições semelhantes às dos colegas de outros países.

O SNPVAC lembra que, “ao contrário de outros países onde a EasyJet tem a operação, os tripulantes das bases portuguesas votaram de forma unânime um congelamento salarial em outubro de 2020, ajudando a empresa na sua fase mais difícil”, durante a pandemia de covid-19.

“Pedimos, agora, que a empresa mostre o 'sentido de realidade' e 'sentido de responsabilidade' que mostrou noutras jurisdições, como em França e na Alemanha, onde a empresa proporcionou aumentos aos trabalhadores, mesmo sem o crescimento da operação que demonstrou em Portugal”, refere a estrutura sindical.

O SNPVAC assinala ainda que a sua proposta “não chega a cobrir o valor da inflação desde o início de 2022 e não inclui os anos de pandemia” e recorda que o objetivo da companhia aérea passa por “superar as expectativas do mercado e alcançar lucros de 294 milhões de euros até ao final de setembro”.

A estrutura sindical garante que está disposta a continuar as negociações, mas não vai aceitar “que a empresa continue a perpetuar o seu regime de rentabilidade máxima e remuneração mínima”.