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Grécia reage às especulações: “O mundo não vai acabar no dia 24”

A imprensa internacional aponta cenários de bancarrota e eleições antecipadas caso não haja acordo na reunião do Eurogrupo. O governo grego desmente e diz que as negociações têm feito progressos. Syriza lança campanha a apelar à participação popular no processo de governação democrática.
O gabinete de Alexis Tsipras fez saber que irá desapontar outra vez os que já previram a bancarrota para os dias 25 de janeiro, 28 de fevereiro e 9 de abril. Foto União Europeia ©

Enquanto boa parte da Grécia celebrava a Páscoa Ortodoxa no fim de semana, a imprensa alemã deu destaque aos relatos das negociações. O Frankfurter Allgemeine Zeitung citou fontes próximas de responsáveis da zona euro, ou seja, do lado dos credores que afirmaram estar “desapontados” com a postura do governo grego. Ao ponto de dizerem que o representante do ministério das Finanças se comportou “como um taxista”, sempre a perguntar quando chega o dinheiro bloqueado pelas instituições europeias. Em resposta, o ministério das Finanças desmentiu a notícia, dizendo que quando os leitores do jornal alemão tiverem acesso às minutas das reuniões, “terão dificuldade em justificar o título e conteúdo deste artigo”, que só contribui para destruir “a negociação e a Europa”.

Esta segunda-feira, também o Financial Times colocava o cenário de bancarrota na agenda dos próximos meses, caso falhe o acordo de dia 24 de abril, com Atenas a congelar o pagamento de 2500 milhões de euros ao FMI. O governo grego respondeu em comunicado, dizendo que “o mundo não vai acabar no dia 24”, da mesma forma que não acabou nos dias das previsões postas a circular pela troika e os partidos que a representam na Grécia – 25 de janeiro (data das eleições), 28 de fevereiro (data do fim do memorando assinado pelo anterior governo) e 9 de abril (data do pagamento ao FMI). A mensagem de Tsipras e Varoufakis continua a ser de tranquilidade e confiança no avanço das negociações e os pontos de discórdia estão bem identificados: enquanto os credores querem prosseguir com a agenda de privatizações e mais desregulação laboral, Varoufakis insistiu, em declarações à agência Bloomberg, que o lado grego quer medidas que promovam o crescimento da economia e do emprego, em vez das que agravam ainda mais a recessão.

Em todo o caso, o cenário da asfixia financeira da Grécia por parte do resto da zona euro continua em cima da mesa e esta segunda-feira foi o tablóide alemão Bild a apontar o cenário de eleições antecipadas em caso de fracasso negocial, com base em fontes próximas do governo. Apesar dos desmentidos do governo, que não considera esgotado o mandato eleitoral de janeiro, o tema não é tabu no Syriza. O eurodeputado Costas Chrysogonos, citado pelo  diário Avgi, diz que também espera “um resultado positivo das negociações em curso”. “Mas se os credores resolverem rasgar o acordo de 20 de fevereiro, poderá ser necessária alguma forma de refrescar o mandato popular tendo em conta esse dado novo”, afirma o eurodeputado. Neste momento, as sondagens dão um apoio de cerca de dois terços da população à estratégia negocial do governo, e o Syriza obtém uma maioria absoluta muito expressiva.  

Syriza lança campanha pela participação popular

Esta segunda-feira o Syriza apresentou a campanha "Somos o Presente", que pretende envolver os cidadãos no processo de governação democrática, com a ideia forte de que no dia 25 de janeiro - “quando a esperança venceu o medo” -  o povo deu um mandato claro à recuperação da sua dignidade e da democracia, obrigando os credores a negociar em vez de ditarem ordens por emails dirigidos aos diferentes ministérios.

Participação, Controlo, Apoio e Reivindicação são os quatro eixos da dinâmica social que o Syriza quer promover em relação ao governo liderado por Alexis Tsipras. “A luta não acabou no dia 25 de janeiro, ela deve sim intensificar-se e organizar-se”, defende o Syriza, que aumentou bastante o apoio popular em relação ao resultado eleitoral em que quase obteve a maioria absoluta dos deputados.

 

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