O estado de emergência foi aprovado em Conselho de Ministros. De acordo com a agência Efe, a proposta partiu do ministro da Proteção Civil e Políticas Marítimas, Nello Musumeci, após uma conversa mantida na segunda-feira entre Musumeci e o ministro do Interior, Matteo Piantedosi.
A medida permitirá revogar algumas normas do ordenamento vigente, e será nacional devido à necessidade de “ajudar as regiões”. Segundo avança o jornal Público, fazendo referência às notícias veiculadas nos media italianos, o estado de emergência traduzir-se-á, nomeadamente, no aumento dos Centros de Permanência para o Repatriamento (CPR), por forma a facilitar as atividades de identificação e deportação por parte das autoridades do país.
Para justificar esta decisão, Musumeci, citado pelo Público espanhol, alega que “existe o risco de o sistema colapsar, caso se mantenha este ritmo de chegadas”. Já Matteo Piantedosi assinalou a importância de a Europa assumir que “já não há muito tempo".
O executivo de extrema-direita italiano, liderado por Giorgia Meloni, aparece alinhado nesta matéria. O vicepresidente do governo italiano, e líder da Liga Norte, Matteo Salvini, garante que Itália é “absolutamente incapaz” de gerir “1.000 chegadas diárias” de migrantes, e que é “crucial que a Europa desperte e intervenha”.
Salvini acusa a União Europeia de inação, e defende que “é hora de demonstrar que existe uma comunidade, uma União, e que a solidariedade não é só responsabilidade de Itália, Espanha, Grécia ou Malta”.
É de referir que, enquanto ministro do Interior, Salvini foi o grande impulsionador, entre 2018 e 2019, de uma severa política anti-migratória, que passou, inclusive, pela perseguição aos navios humanitários e a recusa a conceder o seu desembarque nos portos do país.
O aumento das chegadas de migrantes a partir do Mediterrâneo, com 28.000 pessoas registadas nos primeiros três meses do ano, é utilizado como justificação para a declaração do estado de emergência. Esta cifra corresponde a um aumento de 300% face ao período homólogo, altura em que o fluxo migratório ainda não tinha recuperado a intensidade verificada antes da pandemia.
O alarmismo propalado pelo governo italiano foi contrariado há cerca de um mês por Flavio Di Giacomo, diretor da Organização Internacional para as Migrações (OIM) em Itália, que afirmou que os números previstos no que respeita à chegada de migrantes durante o presente ano “não serão muito diferentes” daqueles que foram registados em 2022.
Flavio Di Giacomo assinalou que os números não representam "um alarme numérico, embora sim humanitário e operativo”.
O porta-voz da OIM lembrou que o fluxo de quatro ou cinco milhões de pessoas chegadas da Ucrânia em três meses foi “perfeitamente gerido pela União Europeia”.