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Governo golpista da Bolívia quer prender Evo Morales

O ministro da justiça do governo golpista da Bolívia exibiu no Twitter um mandato de captura de Evo Morales por “sedição, terrorismo e financiamento do terrorismo”. Na data em que passam 14 anos desde a sua primeira eleição, o presidente eleito da Bolívia reagiu dizendo que é “a melhor prenda” que podia receber.
Em conferência de imprensa a 17 de dezembro em Buenos Aires, Evo Morales declara que não teme as acusações.
Em conferência de imprensa a 17 de dezembro em Buenos Aires, Evo Morales declara que não teme as acusações. Foto de LUSA/ EPA/Juan Ignacio Roncoroni

O mandato de detenção de Evo Morales tornou-se conhecido de forma insólita. Uma publicação no Twitter de Arturo Murillo, o empresário do setor do turismo designado como ministro do Interior pela auto-proclamada presidente Jeanine Añez, fazia a ligação à conta do presidente deposto acrescentando: “para seu conhecimento”.

O documento, assinado por procuradores da Unidade “Anti-corrupção, Legitimação de ganhos ilícitos, delitos aduaneiros e tributários” de La Paz, acusava Evo Morales de crimes de “sedição, terrorismo e financiamento do terrorismo”.

A promessa de acusar judicialmente o presidente eleito vinha sendo repetida. Dias antes, Murillo informava que tinha apresentado queixa judicial deste imputando-lhe a promoção das manifestações que se continuam a opor ao golpe de Estado.

A 24 de novembro, em entrevista ao jornal The Guardian, o mesmo responsável político prometia prender Evo Morales para o resto da sua vida porque “qualquer terrorista devia passar o resto da sua vida na prisão”. Socorria-se para as suas alegações de uma gravação áudio que atribuía ao presidente em que uma voz não identificada apelava ao bloqueio de estradas para impedir a chegada de comida às cidades. Evo Morales esclareceu que a gravação, cuja veracidade não foi confirmada por nenhum órgão de comunicação social independente, é uma manipulação.

Este é, aliás, um dos muito rumores postos a correr para justificar a onda de repressão contra dirigentes e militantes do MAS. Os ativistas políticos e sociais estão a ser presos sob acusações como posse ilegal de armas e tráfico de drogas. Para destruir os seus adversários políticos, o governo golpista está a passar anúncios televisivos com mensagens como “Evo não deixa a comida chegar às cidades” e levou os jornalistas do país numa visita oficial a um apartamento de luxo supostamente pertença do ex-presidente.

Evo Morales, exilado atualmente na Argentina, reagiu com ironia considerando o mandato como “a melhor prenda” que poderia receber no dia em que passam 14 anos da sua primeira eleição como presidente. Acrescentou ainda: “não me assusta, enquanto tenha vida continuarei com mais força na luta política e ideológica por uma Bolívia livre e soberana”.

 

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