Política

Governo está a “promover a imigração clandestina sem direitos”, diz Mariana Mortágua

16 de setembro 2024 - 12:53

Coordenadora bloquista visitou esta segunda-feira associação na Tapada das Mercês que presta apoio a imigrantes. Com problemas das alterações à lei da imigração, Mariana Mortágua fala em "máfia institucionalizada" nos consulados.

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Mariana Mortágua em visita na Tapada das Mercês
Fotografia de Esquerda.net

Mariana Mortágua visitou esta segunda-feira a Associação A Comunidade Islâmica da Tapada das Mercês e Mem-Martins (ACITMMM), onde falou com os trabalhadores que prestam apoio a imigrantes todos os dias. Aos jornalistas, a coordenadora nacional do Bloco de Esquerda criticou a postura do governo sobre imigração e alertou para o problema criado pela retirada das manifestações de interesse.

“O que o governo está a fazer ao acabar com a possibilidade de regularização de imigrantes é promover a imigração clandestina sem direitos” disse Mariana Mortágua. “Essa é a principal consequência desta alteração legal que foi feita e que não trouxe nenhuma resposta ao problema das filas de espera e nenhuma resposta ao problema da imigração clandestina”.

A dirigente bloquista frisou ainda que esta política criou mais problemas ao passar a responsabilidade de emissão de vistos para os consulados. “Sabendo nós que o que os consulados fazem é dar essa tarefa a empresas privadas, e que as empresas dão o visto a quem paga mais, o que o governo criou é uma máfia institucionalizada”, afirmou.

Em visita a uma associação que presta apoio no terreno a imigrantes, a coordenadora do Bloco de Esquerda aproveitou também para relembrar que aquelas associações assumem um papel que cabe ao Estado, mas, ao mesmo tempo, não têm financiamento regular e vêm dificuldades em manter a sua atividade, o que significa que “o Estado não está a respeitar quem o representa nesta terra e junto desta comunidade”

Defendendo soluções concretas, Mariana Mortágua apontou que é preciso reforçar a Agência para a Integração, Migrações e Asilo (AIMA), que tem de funcionar. Outra solução passa pela criação de mecanismos de regularização de imigrantes que vêm para Portugal, num sistema que “não passe por uma máfia de consulados”. Por último, a dirigente bloquista defendeu a necessidade de apoiar as associações no terreno e garantir que o Estado as financia.

Dificuldades no terreno

Em entrevista aos jornalistas, Mamadou Bah, um dos dirigentes da ACITMMM, revelou que os pedidos de ajuda duplicaram desde a última vez que falou com os órgãos de comunicação social. Entre os principais problemas que Mamadou regista no terreno estão as dificuldades com a mudança do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras para a AIMA, e a falta de recursos desta.

A associação ajuda os imigrantes a nível da documentação e dos processos de regularização, mas também tem um banco alimentar, doações de roupa, tem cursos de alfabetização, de inglês e parceria com o IEFP para que os imigrantes possam ter informação sobre as leis e os seus direitos.

Sobre as dificuldades a nível de habitação, o dirigente da ACITMMM nota que é um problema geral mas que naquele concelho se sente muito. “Está difícil, para ter uma casa tem de se pagar €1000, então é difícil para um imigrante que ganhe o salário mínimo”, comenta.

Também quanto às alterações da lei da imigração e da retirada das manifestações de interesse, Mamadou Bah explica que recebem pessoas confusas e sem perceber as alterações todos os dias.