Google pagou 135 milhões a dois executivos acusados de assédio sexual

13 de março 2019 - 10:13

Amit Singhai foi obrigado a demitir-se após uma investigação interna da empresa. Sabe-se agora que levou consigo um “paraquedas dourado” de 45 milhões de dólares. Andy Rubin, o criador do Android, teve direito a 90 milhões.

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Foto GoogleWalkout/Twitter

O montante foi confirmado graças a uma ação judicial interposta por um acionista da Google, na sequência de notícias que apontavam pagamentos milionários a executivos afastados da empresa após acusações de conduta imprópria e assédio sexual.

Segundo a NBC News, a ação judicial dirigida à empresa-mãe da Google, a Alphabet, defende que a administração tinha o dever de proteger a empresa e os acionistas dos riscos e danos à sua reputação. Mas em vez disso, a administração concordou em pagar e dessa forma apoiar os executivos que enfrentavam acusações por assédio.

Esta segunda-feira foram conhecidas as minutas das reuniões da administração da Alphabet, onde aparece o nome do ex-vice-presidente Amit Singhai, que deixou a empresa em 2016, e que recebeu dois pagamentos de 15 milhões de dólares cada, para além de outro pagamento num montante entre 5 e 15 milhões, o que pode elevar o valor total da compensação pela saída a 45 milhões de dólares.

O caso de Singhai, acusado de ter apalpado os seios de uma funcionária da empresa, não é único. Uma reportagem do New York Times tinha revelado que o criador da plataforma Android, Andy Rubin, saiu da empresa com 90 milhões de dólares após a investigação interna ter considerado credíveis as queixas contra si por assédio sexual. Ambos os executivos sempre negaram a veracidade das queixas.

Os casos de assédio e a prática da empresa de obrigar os queixosos a recorrer à arbitragem interna em vez de levar as suas queixas a tribunal levaram a ações de protesto, conhecidas por “Google Walkout” em que os funcionários saíam das instalações da empresa para se manifestarem contra essa regra contratual, que excluía a possibilidade de recurso e de os trabalhadores se juntarem em ações judiciais coletivas contra a discriminação ou o assédio. No ano passado, a Google anunciou o fim dessa arbitragem obrigatória para os casos de assédio sexual, mas os casos já decididos pela arbitragem interna não poderão ir a tribunal. Só em fevereiro deste ano, a empresa anunciou o fim dessa arbitragem para as queixas por discriminação, uma medida que entrará em vigor a 21 de março.

As revelações trazidas a público por esta ação judicial levaram muita gente na rede social Twitter a sugerir medidas onde a empresa podia ter aplicado melhor os 135 milhões de dólares (cerca de 120 milhões de euros) que pagou aos executivos acusados por assédio. Entre elas está o aumento de 5 dólares/hora para os 13 mil funcionários da empresa em Sillicon Valley, o fim da censura à internet na China, acabar com o fosso salarial entre homens e mulheres na empresa, habitação a custos controlados para a população afetada pelo aumento das rendas nas zonas onde a Google está instalada.