Nos últimos dias têm sido notícia as queixas de racismo feitas por refugiados da guerra da Ucrânia, sobretudo estudantes de países africanos, asiáticos e do Médio Oriente. Segundo os relatos, a polícia e militares ucranianos não os deixavam cruzar a fronteira, dando a prioridade a cidadãos brancos. Mas o pesadelo não acabou na fronteira. À saída da estação de comboios de Przemysl, uma cidade polaca com 60 mil habitantes, alguns foram recebidos com aos gritos de "Voltem para a estação de comboios! Vão para a vossa terra!". Os relatos são de jornalistas da agência de notícias OKO, citados pelo Guardian.
"Estava com os meus amigos, tínhamos ido lá fora comprar alguma coisa para comer", conta Sara, uma estudante egípcia na Ucrânia. "Chegaram estes tipos e começaram a intimidar um grupo de nigerianos. Não deixavam um rapaz entrar numa loja para ir comer. Depois vieram em nossa direção aos gritos de 'voltem para o vosso país'", prosseguiu.
A polícia da cidade alertou que a extrema-direita está a espalhar notícias falsas sobre supostos crimes cometidos por grupos de africanos e do Médio Oriente vindos da Ucrânia, acrescentando que não houve aumento de crimes relacionado com a situação na fronteira.
A violência destes gangues racistas fez pelo menos três feridos, um deles hospitalizado após o espancamento. A polícia de choque foi chamada a intervir no local após a chegada de pessoas aos gritos de "Przemysl sempre polaca". Um grupo de Facebook com o mesmo nome também tem semeado o ódio com notícias falsas de esfaqueamentos e assaltos a lojas por parte de refugiados do Médio Oriente.