França: contra a homofobia, afinal não vestimos todos a mesma camisola

14 de maio 2023 - 19:36

A liga francesa de futebol organizou este fim de semana a sua campanha anual contra a homofobia. Mas vários jogadores do Guingamp, Nantes e Toulouse recusaram vestir camisolas onde estava presente a bandeira do arco-íris.

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Messi e Mbappé, jogadores do Paris Saint-Germain, com as cores LGBTI+ este fim de semana. Foto de CHRISTOPHE PETIT TESSON/EPA/Lusa.
Messi e Mbappé, jogadores do Paris Saint-Germain, com as cores LGBTI+ este fim de semana. Foto de CHRISTOPHE PETIT TESSON/EPA/Lusa.

“Homossexuais ou heterossexuais, vestimos todos a mesma camisola”. Este foi o lema escolhido pela liga francesa de futebol para esta edição da sua campanha anual contra a discriminação no futebol que decorreu este fim de semana. Neste âmbito, nas camisolas dos jogadores da Primeira e Segunda Liga devia estar presente a bandeira do arco-íris. Mas houve quem se tenha recusado a usá-las.

Até ao momento, são conhecidas as recusas de Donatien Gomis, do Guincamp, de Mostafa Mohamed, do Nantes, e de vários jogadores do Toulouse. Assim, acabaram por não entrar no terreno de jogo.

Suspeita-se que o ano passado o mesmo tenha acontecido com Idrissa Gana Gueye, então jogador do Paris Saint-Germain, que se recusou jogar nesse fim de semana. Para se explicar, o senegalês ainda foi chamado ao Conselho Nacional de Ética da Federação Francesa de Futebol, órgão na realidade sem qualquer poder disciplinar, pelo que não sancionado, tendo entretanto mudado de clube para o Everton. Na altura, Gueye, recebeu muitos apoios vindos do seu país.

Em comunicado, o Toulouse constatou que houve “jogadores do efetivo profissional que exprimiram o seu desacordo no que diz respeito à associação da sua imagem às cores do arco-íris que representam o movimento LGBT” e que por isso “escolheu afastar esses jogadores do encontro previsto para este domingo às 15 horas no Estádio do Toulouse” dado “o seu empenho de longa data na luta contra a homofobia e todas as formas de discriminação”.

Para além da simbologia de união, a iniciativa envolve ainda a venda posterior destas camisolas em benefício das associações Foot Ensemble, PanamBoyz & Girlz United e SOS Homophobie.

Associações exigem medidas concretas

As associações LGTBI+ consideram que estas recusas são um sinal claro de que há muito para fazer para além das declarações de intenções. O coletivo Rouge Direct, que luta contra a homofobia no desporto, emitiu um comunicado a exigir uma “verdadeira política de luta contra a homofobia no futebol” e denunciou a “inação das instâncias do futebol”, considerando que “o futebol francês é decididamente um grande corpo doente, a homofobia é um dos principais focos de infeção. É mais que tempo de passar das palavras ambiciosas a ações concretas, a grande escala”.

Em declarações ao FranceInfo, o seu porta-voz, Julien Pontes, explica que a operação da liga francesa é “ineficaz porque já acontece há vários anos e estas manifestações de homofobia nunca foram tão graves e importantes”. Será assim necessário “mudar de método”. Até porque “a LFP permanece silenciosa, os clubes permanecem silenciosos” e seria necessário que fossem “muito claros no que representa não usar esta camisola?”

Por sua vez, Catherine Michaud, presidente da GayLib, através de comunicado, lembra que “a homofobia não é uma opinião mas um delito. Não pode ser caucionada nem pelo clube empregador nem pelas autoridades que enquadram os desportos em França”. De acordo com esta organização um jogador é um trabalhador que “não se pode subtrair de uma ação de luta contra as discriminações na qual participe o seu clube por razões de crenças pessoais ou religiosas”.