As contestações contra o aumento da idade da reforma para os 67 anos, que se vem juntar às inúmeras medidas introduzidas ao longo dos últimos anos, nomeadamente no que concerne à degradação do valor das pensões, continuam a mobilizar milhões de pessoas.
Ainda antes do início das manifestações convocadas pelas sete centrais sindicais (CGT, CFDT, CFTC, CFE-CGC, UNSA, FSU e Solidaires), já existiam vários relatos sobre os efeitos da nona jornada de luta do povo francês contra o aumento da idade da reforma.
No que respeita aos transportes ferroviários, o Le Monde anunciou que 30,4% dos trabalhadores aderiram à greve, o que implica que 60% dos comboios estão paralisados. Já no que respeita à aviação, regista-se a redução de 50% dos voos em Orly e 30% nos restantes aeroportos metropolitanos, sendo que, em Lyon, 112 voos foram cancelados. Em Bordeaux, os trabalhadores chegaram mesmo a bloquear o acesso ao aeroporto. No metro de Paris (Régie Autonome des Transports Parisiens - RATP) a taxa de adesão à greve foi de 9%. Nos transportes rodoviários, mantêm-se os bloqueios e marchas lentas em várias regiões do país.
O Le Monde divulga, também, que, conforme dados fornecidos pela federação dos sindicatos, 25% dos trabalhadores dos serviços postais franceses aderiram à greve.
A produção de energia eléctrica e nuclear também tem sido afectada pelos protestos e, das 12 refinarias do país, 11 estão totalmente paradas, sendo que apenas a refinaria da Exxon, em Fos-sur-mer, perto de Marseille, mantém o funcionamento mínimo. Na refinaria de Frontignan-la-Peyrade, os polícias franceses entraram em confronto com os trabalhadores. Cerca de 2750 estações de serviço não têm combustível.
Mobilização dos estudantes continua a crescer
Segundo o sindicato do ensino secundário (FIDL), mais de 1.200 liceus mobilizaram-se para a greve e, destes, 850 estão bloqueados. Este representa um recorde absoluto face a anteriores jornadas de luta.
O sindicato de estudantes UNEF anunciou ainda que dez universidades foram bloqueadas e o sindicato Snuipp-FSU esclareceu que a greve nas creches e escolas primárias ascendeu a 31%.
Na passada segunda feira a polícia francesa deteve 196 jovens e já existem relatos que apontam para a detenção de mais estudantes durante a jornada de 19 de Outubro. Em Nanterre, a polícia interveio no instituto Jolliot Curie, utilizando gás lacrimogéneo para dispersar os manifestantes.
Manifestações em todo o país
Não obstante ainda não existirem dados definitivos relativamente ao número total de participantes, o Le Monde já divulgou que, em Marseilha, de acordo com os sindicatos, participaram na manifestação 240.000 pessoas, o que representa um novo recorde desde o início do movimento.
A adesão em Toulouse também foi superior àquela registada no passado dia 12. Os organizadores da manifestação apontam para a presença de 155.000 manifestantes.
Amplitude dos protestos inquieta centro-esquerda
A dimensão que as jornadas de luta em França estão a atingir levaram o presidente francês Nicolas Sarkozy a declarar que irá tomar “as medidas necessárias” para pôr fim aos protestos e, nomeadamente, aos bloqueios das refinarias, que têm posto em causa não só os transportes como o funcionamento geral da economia. O representante francês reafirmou que não irá ceder às reivindicações dos manifestantes.
A amplitude alcançada pelo movimento também faz estremecer os cronistas de centro-esquerda. Segundo divulga o Público espanhol, aqueles que outrora apoiavam o movimento popular na esperança de “desgastar o presidente Sarkozy”, como é o caso de Laurent Joffrin, director do Libération, apercebem-se agora que os movimentos escapam do seu controlo e denunciam a existência de “radicais” entre os manifestantes. Joffrin refere-se à “oposição popular hostil a toda a lógica de gestão” e sugere fim dos protestos.