Três milhões manifestam-se em França

17 de outubro 2010 - 0:53

Neste sábado, o oitavo protesto massivo contra o aumento da idade da reforma voltou a encher as ruas das cidades francesas. As paralisações nas refinarias estão a provocar grave escassez de combustível. Terça feira realiza-se nova jornada de luta.

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“Viver desempregado ou morrer a trabalhar”, diz cartaz transportado por jovens na manifestação em Paris. 16 de Outubro de 2010 – Foto de Sylvain Lefevre/Epa/Lusa

As ruas das cidades francesas voltaram a encher-se com as manifestações de protestos contra o aumento da idade da reforma, mínima dos 60 para os 62 anos e dos 65 para os 67 anos para a reforma completa. Segundo as sondagens, 70% está contra a lei e a esmagadora maioria concorda com a vaga de manifestações. O projecto de lei já foi aprovado pelo parlamento e terá a votação final no Senado na próxima quarta feira.

Nas últimas semanas, o protesto ampliou-se com a participação de cada vez mais jovens, que rejeitam viver pior que os seus pais e manifestam-se contra uma vida de desemprego e trabalho precário e a ameaça de uma velhice na miséria e a trabalhar.

Além das amplas manifestações, convocadas por sete centrais sindicais, a greve em todas as refinarias está a provocar a falta de combustível. O Governo foi obrigado a reconhecer que os aeroportos de Paris, Roissy-Charles de Gaule e Orly, estavam quase sem combustível, devido nomeadamente ao bloqueio de um oleoduto, que já foi posto de novo a funcionar. Algumas estações de serviço também estão já sem combustível, estimando-se que cerca de 10% dos pontos de abastecimento não têm gasolina. O Governo de Sarkozy apelou à população para que não entre em pânico, mas as filas para o abstecimento aumentam. A CGT apelou aos camionistas a que se juntem aos trabalhadores das refinarias.

A partir de segunda feira, os trabalhadores do caminho de ferro podem endurecer a luta e a CGT convocou uma paralisação dos trabalhadores das empresas de transportes de valores, essenciais para a banca e os hipermercados.

Para a próxima terça feira está convocada nova jornada nacional de luta com greves e manifestações em toda a França.