França: Aeroporto de Marselha bloqueado por manifestantes

21 de outubro 2010 - 19:51

A contestação à reforma das pensões atingiu esta quinta-feira um pico em Marselha, com o bloqueio aos acessos do aeroporto. Sindicatos marcaram mais dois dias de greve, a 28 de Outubro e 6 de Novembro.

PARTILHAR
Esta terça-feira, dia 19, a França mobilizou-se para a nona jornada de greve e de protesto contra a política de Sarkozy. Foto Ângelo Ferreira

O aeroporto de Marselha esteve, durante a manhã desta quinta-feira, bloqueado durante algumas horas e as 14 refinarias francesas continuam em greve por tempo indeterminado, apesar das intervenções das forças de segurança, que têm ordens do Presidente francês, Nicolas Sarkozy, para impedir “a paralisia da economia francesa”.

A manifestação em Marselha, durante o bloqueio, reuniu várias centenas de pessoas, juntando membros da Air France, do Carrefour, territoriais, professores, funcionários dos correios, assalariados da petroquímica e desempregados.

A situação continua perturbada no abastecimento de combustível, com 3.200 estações de serviço encerradas, de um total de 12.300 postos em toda a França.

Apenas uma muito reduzida parte das pessoas que pretende viajar de avião está a conseguir ultrapassar o bloqueio, que afecta todas as estradas com ligação ao aeroporto – aumentando ainda mais a tensão em Marselha, onde já não circulavam praticamente nenhuns transportes, o porto fora bloqueado, impedindo o desembarque de tanques de petróleo, e o lixo acumula-se nas ruas devido a uma greve de nove dos serviços de recolha.

Há semanas que a contestação está em crescendo, desafiando a proposta de Sarkozy, de rever as reformas, incluindo a subida da idade mínima dos 60 para os 62 anos, podendo chegar até aos 67 anos.

Mais mobilizações, greves continuam

Os sindicatos franceses, empurrados por um grande nível de mobilização das suas bases, favorecem a continuação dos protestos, indicou esta quinta-feira à imprensa o secretário geral da CGT, Bernard Thibault. “Esperamos mais umas jornadas em força na próxima semana”, declarou Thibault , indicando que as centrais sindicais não abrem mão da mobilização conseguida nas últimas semanas, com sucessivas manifestações por todo o país, além das greves e bloqueios que atingem sectores vitais.

As declarações do líder da CGT surgem num dia crucial para o braço de ferro entre sindicatos e Governo, uma vez que a CGT e a CFDT marcaram para esta quinta-feira uma reunião intersindical para decidir a estratégia a adoptar após a votação do projecto de reformas no Senado, prevista também para esta quinta-feira.

A decisão dos sindicatos já é pública e unívoca – protestos continuam com a marcação de mais dois dias de greve, a 28 de Outubro e 6 de Novembro.

Estudantes mobilizam-se todos os dias

Segundo o jornal francês Le Monde, esta quinta-feira, entre 4 mil a 17 mil jovens estudantes manifestaram-se pelas ruas de Paris.

Os estudantes do liceu e universitários juntaram-se ao movimento social que contesta o novo regime de reformas, levando na prática ao encerramento de cerca de 400 liceus em todo o país e afectando 33 das 83 universidades francesas, devido ao bloqueio de instalações e, em vários pontos do país, a confrontos com a polícia. Segundo a UNEF, principal sindicato de estudantes, pelo menos 14 universidades estão total ou parcialmente bloqueadas.

No entanto, o fim de semana é decisivo porque na sexta-feira as escolas francesas encerram para as férias intercalares, o que poderá ter impacto no nível de mobilização dos estudantes do ensino secundário.

O centro de Lyon (leste), que foi nos últimos dias palco de batalhas de rua entre grupos de jovens e a polícia, está agora ser vigiado por unidades especiais das forças de segurança, que filtram o acesso às zonas comerciais e montaram um dispositivo antimotim que inclui canhões de água e veículos blindados.