A poucos dias da realização do Fórum Socialismo 2023 - programa aqui - o Esquerda.net publica alguns resumos das sessões que terão lugar em Viseu de 8 a 10 de setembro.
Da escola que somos à escola que queremos
Antes de mais, defender uma escola de sonho, é defender a escola pública que fomos capazes construir, enquanto sociedade, após o 25 de Abril. Fizemos em 30 anos o que noutros países demorou muitas décadas. Conseguimos e continuamos: escola para todos e todas, inclusiva, de 12 anos, com três anos de educação pré-escolar.
Quererá isto dizer que a podemos sonhar? Evidentemente que sim. Partindo do pressuposto de que o âmago da escola pública e da educação como um direito constitucional é a formação de cidadãos autónomos e plenos, sabemos, em particular quem vive na escola quotidianamente, o quão distante esse desígnio parece estar de ser alcançado. Veja-se: quem não sonha com uma escola democrática e autónoma, com capacidade para decidir que respostas dá à diversidade enorme com que tem de lidar? Quem não sonha com uma escola que possa reivindicar os apoios de que necessita para concretizar este propósito? Quem não sonha com uma escola de proximidade, sobretudo nos primeiros anos e na educação pré‑escolar e com o fim dos megagrupamentos? Quem não sonha com uma escola em que as componentes artísticas sejam relevantes no currículo? Quem não sonha com uma escola onde quem aprende e quem ensina e quem nela trabalha possa ser feliz ou pelo menos possa estar tranquilo? Quem não sonha com o fim da tirania do mérito?
Enfim, estas são algumas das muitas questões que podem ajudar a definir caminhos que podemos percorrer para a concretização do sonho de tornar esta escola pública ainda mais forte. É ela que garante uma educação para todos e todas e sem nenhuma condição de exclusão. Por isso, sonhar a escola é também uma forma de resistir e de persistir neste desígnio.
Alexandra Vieira - Professora de História e especialista em Sociologia da Educação, Políticas Educativas e Administração Escolar