A Federação Nacional dos Médicos (FNAM) lembra a situação no Serviço Nacional de Saúde (SNS), “onde, dia após dia, se acumulam situações inaceitáveis, inimagináveis até há bem pouco tempo, e que têm resultado na limitação da nossa capacidade de exercer a profissão com dignidade e excelência”, bem como também, e “demasiadas vezes”, na “suspensão temporária de alguns
serviços”.
A estrutura sindical faz referência ao extenso processo de formação dos médicos internos e da desvalorização a de que estes têm sido alvo, com “décadas de desinvestimento no SNS, onde a realidade laboral é de tal maneira inóspita, sob tantos pontos de vista, que são cada vez menos aqueles que resistem ao exílio para o sector privado ou para o estrangeiro, desqualificando o SNS e o país da mão de obra que especializamos e formamos coletivamente”.
Na carta está patente a constatação de que “não há falta de médicos em Portugal, há falta de médicos no SNS”.
“O Ministério da Saúde pode tentar tapar o sol com várias peneiras – desde a contratação de médicos recrutados no estrangeiro, ou de médicos já reformados, até à tentativa de legislar para dobrar o número já abusivo de horas extraordinárias que os médicos fazem todos os anos –, mas já não é possível esconder a solução evidente: é urgente contratar mais médicos, o que apenas será possível garantindo à carreira médica a dignidade e a valorização necessária para que os médicos e as médicas a queiram fazer ao serviço da saúde pública”, escreve a FNAM.
Lembrando que, em 15 meses de negociações, Manuel Pizarro “foi incapaz de produzir um acordo competente para os desafios que o SNS enfrenta”, os médicos reforçam a propostas reativamente à nomeação de um “mediador independente, capaz de dar às negociações o pragmatismo que o SNS precisa e não tem mais tempo”.
Os profissionais alertam que o SNS não pode esperar mais e apelam ao contributo do presidente da República para que “o país não continue à espera de um tempo que se está a esgotar, para garantir que vale a pena ser médico em Portugal e que a saúde continua a ser um dos motivos que, como sociedade, nos tranquiliza e nos orgulha”.