As duas estudantes que desde a manhã de terça-feira bloqueiam a entrada principal da Faculdade de Psicologia anunciaram que vão entrar em greve de fome. Nas últimas 24 horas têm estado ali confinadas, apenas com colchões, agasalhos e um garrafão de água.
Ao longo do dia, realizaram-se à porta da faculdade várias atividades de apoio como palestras sobre a ciência climática, gás fóssil, empregos para o clima e mobilidade justa, que contaram com dezenas de colegas estudantes, ativistas, professores e cientistas, incluindo o Professor Viriato Soromenho Marques, diz e comunicado a campanha Fim ao Fóssil.
As estudantes apelam à reitoria da Universidade de Lisboa que convoque toda a sociedade para o protesto do próximo sábado, 13 de maio, no porto de Sines, uma ação de desobediência civil que pretende bloquear aquela infraestrutura que é a principal porta de entrada do gás natural liquefeito em Portugal.
Estudantes iniciaram greve da fome na Faculdade de Psicologia da Universidade de Lisboa. Foto Fim ao Fóssil.
"Estamos sem acesso a comida até termos motivo para sair, porque em crise climática não vamos ter essa escolha, como muita gente hoje já não tem. A normalidade não nos dá escolha sobre o nosso futuro, e por isso temos de a mudar, e inspirar coragem na sociedade para fazer o mesmo no porto de Sines dia 13 de maio, com a plataforma Parar o Gás", afirmou Teresa Cintra, uma das estudantes em protesto.
Scientist Rebellion fecha Ministério do Ambiente em protesto contra falta de ação climática
Ao início da manhã desta quarta-feira, sete ativistas da Scientist Rebellion Portugal fecharam a cadeado a entrada principal do Ministério do Ambiente e da Ação Climática, colando nas paredes do edifício alguns artigos científicos que apontam para a necessidade de ação urgente face às alterações climáticas.
"O objetivo desta campanha é fazer soar o alarme face à contínua inação governamental e industrial relativamente às alterações climáticas, particularmente no que diz respeito aos avisos feitos no último relatório do IPCC (Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas) e à necessidade da redução drástica de emissões de gases com efeito de estufa", afirmam em comunicado.
Ativistas em frente ao Ministério do Ambiente esta quarta-feira. Foto Scientist Rebellion
Os cientistas da Scientist Rebellion defendem que o Ministério do Ambiente e da Ação Climática não está a cumprir o seu papel na luta contra as alterações climáticas, "encontrando-se refém dos interesses económicos a curto prazo e mostrando-se incapaz de tomar as decisões que são de sua responsabilidade". E a continuar nesse caminho, acrescentam, o aumento da temperatura na atual trajetória será de 1,5ºC, mais do dobro dos 1,5°C com que os países se comprometeram no Acordo de Paris.
Em particular, os ativistas criticam o Estado português por "continuar a esconder-se atrás de tentativas de greenwashing e de promessas de soluções meramente tecnológicas para a emergência climática, mais especificamente ao insistir no aumento do uso de hidrogénio e gás dito “natural”".A campanha "The Science is Clear" exige a descarbonização da economia, o pagamento de fundos de perdas e danos pela catástrofe climática no Sul Global e o cancelamento da dívida destes países e a proteção para quem defende as terras alvo da indústria extrativista. No nosso país, defendem o decrescimento da economia, a substituição dos combustíveis fósseis por soluções renováveis na geração elétrica, transportes públicos de qualidade, gratuitos e eletrificados e a utilização do hidrogénio verde apenas em setores onde não exista alternativa.
Estudantes iniciaram greve da fome na Faculdade de Psicologia da Universidade de Lisboa. Foto Fim ao Fóssil.
Ativistas em frente ao Ministério do Ambiente esta quarta-feira. Foto Scientist Rebellion