Fim ao fóssil: estudantes em greve de fome, cientistas fecham Ministério

10 de maio 2023 - 12:08

As duas estudantes que bloquearam a entrada principal da Faculdade de Psicologia da Universidade de Lisboa apelam à reitoria que convoque o protesto de 13 de maio em Sines. No Ministério do Ambiente, ativistas da Scientist Rebellion fecharam a porta principal a cadeado.

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Estudantes na entrada da Faculdade de Psicologia da Universidade de Lisboa. Foto Fim ao Fóssil

As duas estudantes que desde a manhã de terça-feira bloqueiam a entrada principal da Faculdade de Psicologia anunciaram que vão entrar em greve de fome. Nas últimas 24 horas têm estado ali confinadas, apenas com colchões, agasalhos e um garrafão de água.

Ao longo do dia, realizaram-se à porta da faculdade várias atividades de apoio como palestras sobre a ciência climática, gás fóssil, empregos para o clima e mobilidade justa, que contaram com dezenas de colegas estudantes, ativistas, professores e cientistas, incluindo o Professor Viriato Soromenho Marques, diz e comunicado a campanha Fim ao Fóssil.

As estudantes apelam à reitoria da Universidade de Lisboa que convoque toda a sociedade para o protesto do próximo sábado, 13 de maio, no porto de Sines, uma ação de desobediência civil que pretende bloquear aquela infraestrutura que é a principal porta de entrada do gás natural liquefeito em Portugal.


Estudantes iniciaram greve da fome na Faculdade de Psicologia da Universidade de Lisboa. Foto Fim ao Fóssil.

"Estamos sem acesso a comida até termos motivo para sair, porque em crise climática não vamos ter essa escolha, como muita gente hoje já não tem. A normalidade não nos dá escolha sobre o nosso futuro, e por isso temos de a mudar, e inspirar coragem na sociedade para fazer o mesmo no porto de Sines dia 13 de maio, com a plataforma Parar o Gás", afirmou Teresa Cintra, uma das estudantes em protesto.

Scientist Rebellion fecha Ministério do Ambiente em protesto contra falta de ação climática

Ao início da manhã desta quarta-feira, sete ativistas da Scientist Rebellion Portugal fecharam a cadeado a entrada principal do Ministério do Ambiente e da Ação Climática, colando nas paredes do edifício alguns artigos científicos que apontam para a necessidade de ação urgente face às alterações climáticas.

"O objetivo desta campanha é fazer soar o alarme face à contínua inação governamental e industrial relativamente às alterações climáticas, particularmente no que diz respeito aos avisos feitos no último relatório do IPCC (Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas) e à necessidade da redução drástica de emissões de gases com efeito de estufa", afirmam em comunicado.


Ativistas em frente ao Ministério do Ambiente esta quarta-feira. Foto Scientist Rebellion

Os cientistas da Scientist Rebellion defendem que o Ministério do Ambiente e da Ação Climática não está a cumprir o seu papel na luta contra as alterações climáticas, "encontrando-se refém dos interesses económicos a curto prazo e mostrando-se incapaz de tomar as decisões que são de sua responsabilidade". E a continuar nesse caminho, acrescentam, o aumento da temperatura na atual trajetória será de 1,5ºC, mais do dobro dos 1,5°C com que os países se comprometeram no Acordo de Paris.

Em particular, os ativistas criticam o Estado português por "continuar a esconder-se atrás de tentativas de greenwashing e de promessas de soluções meramente tecnológicas para a emergência climática, mais especificamente ao insistir no aumento do uso de hidrogénio e gás dito “natural”".A campanha "The Science is Clear" exige a descarbonização da economia, o pagamento de fundos de perdas e danos pela catástrofe climática no Sul Global e o cancelamento da dívida destes países e a proteção para quem defende as terras alvo da indústria extrativista. No nosso país, defendem o decrescimento da economia, a substituição dos combustíveis fósseis por soluções renováveis na geração elétrica, transportes públicos de qualidade, gratuitos e eletrificados e a utilização do hidrogénio verde apenas em setores onde não exista alternativa.