Um grupo de estudantes do movimento “Fim ao Fóssil” ocupou o gabinete do diretor da Faculdade de Letras de Lisboa, Miguel Tamen, na tarde desta quarta-feira. A ação é justificada pela “recusa do diretor em apoiar os estudantes, depois de uma reunião em que o desafiaram a arranjar mais 300 pessoas comprometidas a fazer resistência civil no porto de Sines para “parar o gás”.”
Os estudantes desta Faculdade estão acampados desde 26 de abril e, na reunião com Tamen, pretendiam apelar à ação de bloqueio do terminal de gás de Sines que acontecerá a 13 de Maio e que é organizada pela plataforma “Parar o Gás”. Como este não anuiu ao apelo, recusaram-se a sair do seu gabinete, porque, de acordo com uma das porta-vozes do movimento, “não podemos continuar a deixar que a sociedade, incluindo esta instituição, se desresponsabilize daquela que é a tarefa de todos: travar as alterações climáticas”. Na sequência desta ocupação simbólica, informam as ativistas, a polícia foi chamada ao local.
Esta onda de ocupações decorre em escolas de Lisboa desde 26 de abril. Os estudantes reivindicam o fim do uso de combustíveis fósseis até 2030 e eletricidade 100% renovável e acessível até 2025. Dizem que só pararão as ações quando 1.500 pessoas se disponibilizarem a “travar o crime com as suas próprias mãos”, comprometendo-se a participar na ação de resistência civil no dia 13 de Maio no terminal de gás de Sines. Contam neste momento com cerca de 200 compromissos públicos.
Há ações a decorrer na Escola Artística António Arroio, encerrada pelo segundo dia consecutivo, no Liceu Camões, onde dormiram 40 estudantes, e em várias instituições de ensino superior nas quais há concertos e palestras, como na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, Faculdade de Psicologia da Universidade de Lisboa, Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa, Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra e Faculdade de Letras da Universidade do Porto.
A escola António Arroio parou durante o dia. Leonor Pera, do movimento “Fim ao Fóssil Ocupa!”, explicou à Lusa que “não está ninguém na escola. Estamos nós, só os ocupas, alguns professores e auxiliares. Não há aulas a decorrer”. Disse ainda que o diretor da escola demonstrou apoio à ação, que concordou que, no próximo ano letivo, o tema das alterações climáticas seja abordado nas aulas dos 11º e 12º anos e que a escola se encontrará fechada até às 8h30 do dia seguinte, altura em que os próprios alunos a voltarão a abrir porque estão a decorrer formações em contexto de trabalho e preparações para a prova de aptidão artística – dois “elementos de avaliação muito importantes para o 12º ano”.