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Filipinas: Protesto na Bolsa de Valores

Manifestantes responderam ao apelo internacional e protestaram contra o desemprego, que atinge 11 milhões, e as péssimas condições de vida.
A situação das Filipinas é caótica e vergonhosa, com 10% da população obrigada a trabalhar no exterior para sustentar as suas famílias. Foto de Simon Oosterman

Dezenas de manifestantes organizaram um protesto em frente ao prédio da Bolsa de Valores filipina, na cidade de Makati, vizinha a Manila, onde se localiza o centro financeiro do país.

Levando cartazes, adultos e crianças participaram das manifestações protestando contra o desemprego, que atinge 11 milhões, e as péssimas condições de vida, entre outras coisas. Um dos cartazes dizia: “As Filipinas não estão à venda!”.

A situação das Filipinas é caótica e vergonhosa, com 10% da população obrigada a trabalhar no exterior para sustentar as suas famílias. Em particular as mulheres, que são obrigadas a trabalhar na noite em vários países asiáticos e também como empregadas domésticas. Essa situação tem levado ao aumento dos problemas vividos pelas mulheres, cujos direitos são frequentemente violados, com o aumento de abusos sexuais, violações e, inclusive, mortes misteriosas, em particular nos países árabes, onde se dirigem para trabalhar como domésticas.

Nas últimas semanas, as Filipinas foram alvo de grandes inundações numa ampla área de Luzon, a ilha principal, das mais de sete mil que compõem este arquipélago. As enchentes têm-se intensificado nos últimos anos devido às mudanças climáticas globais, das quais o povo filipino não é responsável. Com pouca industrialização no seu território, não se pode acusá-lo de estar a poluir o mundo e a criar mudanças climáticas. São vítimas.

As enchentes liquidaram quilómetros de plantações de arroz, principal produto agrícola do país, e obrigaram, inclusive, o país a importar o produto. A crise gerada pelas inundações está a causar uma espiral inflacionária, já que muitos produtos subiram nos últimos dias. A inflação, como sabemos, é um mecanismo de achatamento do poder aquisitivo dos salários, agravando ainda mais uma situação já bastante grave.

As inundações provocadas pelas tradicionais monções asiáticas, que sempre ocorreram, diferem do passado pelo aumento da força das tormentas, provocadas pelas mudanças climáticas no planeta. A população desses países não entendeu que, o que era excepção, virou a regra e agora as inundações serão frequentes. Mas, mesmo que entendam, a miséria não permite que possam preparar-se para enfrentá-las, o que as tem tornado frágeis vitimas da exaustiva exploração do planeta pelos principais países imperialistas.

Países como Filipinas, Tailândia, Cambodja, Paquistão e mesmo China e Índia, estão à mercê desses acontecimentos, que já mataram milhares de pessoas nos últimos anos.

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