Durante a tarde desta segunda-feira, dezenas de pessoas juntaram-se em solidariedade contra a tentativa de despejo do centro de apoio social “Seara” na rua de Arroios, em Lisboa. Os voluntários que gerem atualmente o espaço, e que se mantêm dentro do prédio, emitiram um comunicado onde afirmam que ficarão “no local até haver uma ordem judicial, legal, de despejo” e que resistirão “de forma pacífica”.
Neste momento existe um número grande de pessoas a defender pacificamente o espaço da seara. Só queremos que a empresa...
Publicado por Seara - Centro de Apoio Mútuo de Santa Bárbara em Segunda-feira, 8 de junho de 2020
Esta manhã, o esquerda.net noticiou a tentativa de despejo do centro social, criado durante a pandemia, na Rua de Arroios, situado um prédio abandonado há vários anos. Entretanto, a PSP, que foi chamada ao local, montou um cerco policial junto àquela zona, ao mesmo tempo que se juntavam dezenas de pessoas e ativistas pelo direito à habitação, em solidariedade com os voluntários que gerem o espaço.
No final da tarde, a polícia chegou mesmo a usar gás pimenta e bastões contra os manifestantes, que tentavam chegar junto do edifício gritando palavras de ordem como “Seara fica” ou “A casa para quem a habita”. Em declarações à SIC, Solange Puglielli, um dos ocupantes do edifício, relata esses momentos em que a polícia usou bastões e gás contra os manifestantes. Estávamos a fazer um bloqueio pacífico, sem empurrar, sem nada”, depois a “polícia começou a lançar gás pimenta e, depois disso chegaram com bastões e começaram a bater”. O ativista relata que duas pessoas foram enviadas para o hospital.
Neste momento existe um número grande de pessoas a defender pacificamente o espaço da seara. Só queremos que a empresa...
Publicado por Seara - Centro de Apoio Mútuo de Santa Bárbara em Segunda-feira, 8 de junho de 2020
No prédio continuam cerca de 15 de pessoas, entre voluntários e pessoas carenciadas, assim como os seguranças privados contratados pelos proprietários do prédio e a advogada que os representa.
A deputada do Bloco de Esquerda Maria Manuel Rola esteve no local em solidariedade com aquele espaço. “Este espaço comunitário, que é tão essencial neste momento, em que tanta gente perde rendimentos, e, neste caso, a comunidade organizou-se para dar respostas que estão em falta. Parece-nos incompreensível que a forma de tratar estas pessoas que se organizam seja com agressividade, com segurança privada, num espaço que já estava desocupado há vários anos” disse a deputada em declarações à SIC.
O mesmo prédio aparece já anunciado no site de um imobiliária
Consultando o site da empresa imobiliária ERA é possível ver o projeto reservado para este imóvel, adquirido recentemente por investidores. Com conclusão prevista para o mês de Junho de 2021 o prédio onde hoje funciona o centro de apoio social, depois de reabilitado, irá, por exemplo, oferecer um T3 por 690 mil euros.
No site, o prédio é anunciado como estando localizado “numa das zonas mais centrais da cidade de Lisboa, bem servido por todo o tipo de serviços e comércio, a 5 minutos do Hospital Dona Estefânea”.