Branqueamento

Fenprof condena ida de ministro a conferência em Israel

03 de fevereiro 2026 - 10:43

Fernando Alexandre participa numa conferência em Jerusalém sobre Educação e Inteligência Artificial, duas áreas em que Israel tem vindo a praticar crimes contra a humanidade. Bloco questionou presença do ministro num evento que vários dos seus homólogos decidiram boicotar.

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Fernando Alexandre e o embaixador israelita
Fernando Alexandre e o embaixador israelita. Foto publicada nas redes sociais da embaixada

A federação sindical de professores manifesta em comunicado a sua condenação da participação do ministro d Educação numa conferência em Jerusalém, a decorrer entre 2 e 4 de fevereiro. Fernando Alexandre também recebeu o embaixador israelita, com quem se fez fotografar.

“Tem um significado muito especial que um ministro da Educação, depois da neutralidade do seu congénere dos negócios estrangeiros face a comportamentos censuráveis da embaixada e do estado de Israel, aceite fazer-se fotografar para uma ação de propaganda da embaixada israelita e participar numa iniciativa, em Jerusalém, que sempre servirá para branquear a ação desumana e criminosa do atual governo israelita”, afirma a Fenprof.

Os professores sublinham ainda que o Governo “ficou impávido e sereno perante a utilização abusiva de uma fotografia da FENPROF com a senhora embaixadora da Palestina, numa ação de propaganda da embaixada de Israel e, pior ainda, mudo e quedo se deixou estar perante a recente barragem feita à entrada na Cisjordânia, por parte do estado de Israel, de uma delegação da Internacional da Educação, na qual participava uma dirigente da Fenprof, no âmbito das comemorações do Dia Internacional da Educação”.

“Ficamos a saber que o governo português é dado a cortesias para com os mais fortes e desprezo pelos mais fracos”, conclui a Fenprof.   

Na semana passada o Bloco de Esquerda questionou o Governo sobre a presença de Fernando Alexandre numa conferência que foi alvo de “boicote de vários homólogos internacionais e a recusa de diversos Estados em participar no evento devido à situação humanitária em Gaza”. E pergunta se "num contexto de isolamento diplomático de Israel e de conflito militar" a presença na conferência é compatível "com a posição de Portugal face ao respeito pelo Direito Internacional e pelos Direitos Humanos?"

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