A Autoridade Marítima Nacional contabiliza 5.178 nadadores-salvadores certificados no país. A Federação Portuguesa de Nadadores Salvadores diz que seriam necessários 6.200 para as 1.500 concessões existentes.
Estes números são noticiados esta quarta-feira pelo Jornal de Notícias mas não darão ainda uma ideia correta da falta destes profissionais porque nem todos os que estão certificados estarão disponíveis para o trabalho. Alexandre Tadeia, da Fepons, diz que há um problema com “a disponibilidade que nem sempre é total por parte dos nadadores-salvadores”. Isto porque quem está a trabalhar acaba por abdicar das folgas e viver situações de exaustão e muitos desistem de um ano para o outro. Este responsável associativo defende que “é preciso investir em dispositivos de nadadores-salvadores fora da época balnear para garantir o socorro imediato e um maior número de profissionais disponíveis para o verão”.
Num setor marcado pela sazonalidade, há uma grande presença de estudantes. Mais recentemente empregam-se trabalhadores vindos de outros pontos do mundo, nomeadamente da América Latina que fazem o verão de um lado e do outro do globo.
Ao JN, Agusttin Tellechea, um uruguaio que trabalha na praia do Guincho, em Cascais, confirma esta situação: “Trabalho todos os dias devido à falta de profissionais, é muito exigente e obriga a que tenha que estar sempre concentrado, apesar do cansaço acumulado”. Comparativamente ao seu país diz que “no Uruguai há melhor organização, há mais nadadores-salvadores e as folgas são cumpridas, em Portugal não, apesar dos meios disponíveis de salvamento serem muito bons”.
De acordo com a Autoridade Marítima Nacional desde 1 de maio, data do início da época balnear, houve 373 salvamentos e 903 ações de primeiros socorros. Ocorreram nesse período ainda oito mortes, três em praias vigiadas, nenhuma destas por afogamento. As mortes por afogamento foram registadas em praias não vigiadas.