No jantar-comício na Baixa da Banheira esta quarta-feira, Catarina Martins pegou no dia de campanha para falar de diversidade e de cultura e de como isso está em jogo nestas eleições europeias. Usou assim o exemplo da Escola do Monte da Caparica, “uma escola que percebe que nós temos de ser feitos de inclusão, de integração, de acolhimento” e do espaço teatral O Bando, “um dos maiores polos culturais da Europa”, e que são “o melhor que nós temos” mas para os quais é preciso dinheiro, profissionais, projetos. E é disso que se trata quando se discutem as regras europeias, acrescentou.
De seguida, criticou a “propaganda mentirosa da extrema direita que tenta dividir as pessoas” e que para fazer passar a imigração como “o maior problema do país” esquece que entre 2011 e 2023 saíram de Portugal um milhão e cem mil pessoas “porque os salários são baixos”. O mesmo campo político que é “sempre a favor de vistos gold que é a única porta escancarada que há à entrada em Portugal e que já fez com que entrasse gente que teve dinheiro roubado dos seus povos e com problemas de corrupção”. Catarina lembrou ainda que quando é preciso escolher entre os preços das casas serem razoáveis para os salários e pensões portugueses ou proteger o dinheiro dos especuladores, os deputados da extrema-direita “protegeram sempre os especuladores”. E são eles que “votam sempre ao lado dos patrões” e usam a imigração porque “sabem que trabalhadores indocumentados são trabalhadores que não têm capacidade para exigir os seus direitos e é isso que querem”.
Ainda sobre a extrema-direita, mencionou “o seu melhor amigo nível europeu”, Vladimir Putin, referindo um relatório recente sobre as ligações entre a extrema direita e o regime de Vladimir Putin e o “generoso empréstimo de 9,4 milhões de euros de Vladimir Putin” a Le Pen.
Para a cabeça de lista bloquista, “o problema da extrema direita é que não gosta de Portugal. Portugal é sardinha assada nos Santos, é kebab, é cachupa e toda esta diversidade de que nós gostamos, que nós celebramos, que nós representamos e que nós defendemos”.
Assim, concluiu, estas eleições europeias são sobre "se queremos fazer um caminho de retrocesso a ódios e a divisões, ou se nos orgulhamos da diversidade que somos. E não é só não querer recuos, queremos avanço para os direitos de todas as pessoas”.
A missão destas eleições é “proteger o legado dos direitos humanos”
Marisa Matias interveio para defender que a missão fundamental nestas eleições é a “de proteger o legado dos direitos humanos” e que é impossível falar nisso sem falar da Palestina, onde se assiste a um genocídio apenas possível “porque existem cúmplices”. Entre estes está o Governo português por não reconhecer o Estado da Palestina.
A ex-deputada europeia trouxe ainda, sobre direitos humanos, o Pacto das Migrações que “foi verdadeiramente uma vitória da extrema-direita” e contou com “a cumplicidade dos socialistas, os liberais, do PSD e do CDS”. Nele, foram “ultrapassadas todas as linhas inadmissíveis”: permite a detenção e repatriação de menores, elimina na prática os direitos à reunificação familiar e significa “a morte do direito de asilo”. Por outro lado, passa a permitir a recolha coerciva de dados biométricos, "incluindo a menores”, bem como acordos de readmissão "em países que não garantem nenhum respeito dos direitos dos migrantes”. Resumindo, “decide tratar migrantes e refugiados como ameaça, como suspeitos de qualquer crime”.
Terminou pedindo que se “passe a palavra” que as pessoas “votem em quem as representa” e quer melhorar as suas vidas, “em quem luta pela dignidade, em quem não cala o genocídio e a violação dos direitos humanos”.
Os eurodeputados bloquistas “não vão dar tréguas” na defesa da paz
Joaquim Raminhos lembrou que a sessão acontecia “numa trincheira de resistência antifascista antes do 25 de Abril”. No Ginásio Atlético Clube da Baixa da Banheira se fundou a Escola Aberta do Ginásio que “era uma escola de consciência política”.
E defendeu “uma Europa mais social, uma Europa mais igualitária”, a “Europa dos direitos”, com uma maior intervenção nas alterações climáticas, de reconhecimento dos direitos da mulher e que seja “uma voz de paz” em tempos de guerra permanente. Assegurou, por fim, que os eurodeputados bloquistas não vão dar tréguas na defesa desta agenda.