Enquanto na imprensa desportiva e na generalista centenas de nomes vão desfilando a propósito das transferências de clube dos jogadores do futebol europeu, uma informação destoa desta excitação do “mercado”. O Sindicato Francês de Jogadores Profissionais de Futebol, UNFP, anunciou esta terça-feira que vai apresentar uma queixa ao Procurador da República do seu país por “extorsão e assédio” contra desconhecidos. Em causa está este chamado “mercado de inverno” do futebol europeu e o objetivo é proteger os jogadores da pressão de que alguns são vítimas por parte dos clubes que os contrataran quando querem prolongar contratos ou se querem desembaraçar deles, o que se acentua nesta janela temporal de “transações” de jogadores entre clubes.
O sindicato não pretende com a queixa visar apenas uma equipa mas denunciar as situações vividas por muitos jogadores, 180 segundo as suas contas só desde o início da época de futebol em França. As práticas de assédio, afirmam, “generalizam-se” e “são mesmo reivindicadas pelos clubes que não hesitam em utilizar meios de comunicação sofisticados para ostracizar os jogadores em causa”.
“O recurso à coação moral para incitar uma pessoa a aceitar ou rescindir um contrato constitui um delito de extorsão”, defendem Julia Minkowski e Léon del Forno, os advogados contratados pela UNFP. Verificam-se situações de “isolamento brutal e pressões múltiplas”, havendo uma “deterioração das condições de trabalho suscetível de afetar os direitos do trabalhador ou de comprometer o seu futuro profissional” e que constituirão assédio.
Na mira do sindicato estão sobretudo os casos de “lofting”, uma prática que consiste em afastar os jogadores das equipas, enviando-os para grupos chamados “de treino” com o objetivo de aumentar a pressão para que decidam no sentido em que os clubes os querem forçar. Recorrendo à imprensa, o sindicato diz haver pelo menos cinco dezenas de casos recentes mas adverte-se: “na realidade, o número de vítimas destas práticas é muito mais elevado como cada pessoa sabe”.
O lofting, alega-se, “impede” o futebolista de exercer “a sua atividade profissional em condições normais” e coloca-o perante a chantagem de, se quiser voltar, ter de aceitar as condições do clube.
Atinge jogadores dos mais conhecidos do grande público aos desconhecidos. Exemplo disso é a estrela francesa Kylian Mbappé que, no início da época, se viu afastado de uma turné pré-época na Ásia e foi proibido de treinar com a equipa principal do Paris Saint-Germain por estar num diferendo contratual com o clube. De acordo com o PSG, dois meses a seguir, sem ter entretanto jogado nenhum jogo e depois de “discussões construtivas e positivas”, foi alcançado um acordo que, de acordo com imprensa francesa, implica que teria de perder uma série de bónus financeiros a que teria direito em caso de transferência.