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Extinction Rebellion: protestos em Londres com quase 200 pessoas detidas

Protestos ambientalistas Extinction Rebellion continuam por todo o mundo. Em Londres, grande mobilização bloqueou quatro pontos centrais da cidade e levou a quase duas centenas de detenções.
Ponte de Waterloo ocupada por manifestantes Extinction Rebellion, 15 de Abril de 2019. Foto __andrew/Flickr.
Ponte de Waterloo ocupada por manifestantes Extinction Rebellion, 15 de Abril de 2019. Foto __andrew/Flickr.

Os protestos ambientalistas convocados para esta semana por todo o mundo sob a bandeira Extinction Rebellion estão a dar dores de cabeça às autoridades em muitos locais. Em Londres em particular, vários pontos no centro da cidade têm estado bloqueados desde segunda-feira e cerca de duas centenas de pessoas já foram detidas.

O movimento Extinction Rebellion, criado em maio do ano passado no Reino Unido, defende o uso de táticas de desobediência civil, mas sem recorrer a violência, como forma de criar consciência para a urgência das questões ambientais e forçar os governos a tomar medidas. Entende que estes objetivos não estão a ser conseguidos por formas mais convencionais de protesto, e afirma inspirar-se no legado político e de intervenção não-violenta de figuras como Ghandi, Martin Luther King, as sufragistas, bem como movimentos mais recentes como o Occupy.

A mais recente iniciativa do movimento, uma "rebelião pelo clima" convocada para esta semana, tem ações realizadas e previstas em 80 cidades de 33 países, que se estendem por toda a Europa, EUA e também Ásia.

Os protestos com mais impacto até agora estão a registar-se em Londres. Desde segunda-feira, ativistas têm estado a ocupar quatro pontos centrais da capital britânica — a ponte de Waterloo, a praça do Parlamento, Oxford Circus e a rotunda de Marble Arch — obrigando a desvios de trânsito e inevitáveis atrasos no congestionado centro da cidade. Na ponte de Waterloo, por exemplo, ativistas instalaram vasos com flores, tendas, uma rampa de skate, enquanto outros se acorrentaram a um camião que bloqueava a circulação. No cruzamento de Oxford Circus, no coração da zona de compras e turismo, instalaram um barco de pesca pintado de rosa em homenagem a Berta Cáceres, uma ambientalista hondurenha assassinada em 2016.

As autoridades estão a responder com detenções em grande número para tentar dispersar as multidões e restabelecer a circulação. Segundo o Guardian, na terça-feira registou-se perto de 170 detenções, elevando o total desde o início da ação na segunda-feira para 290.

Hoje, quarta-feira, informações de que ativistas estavam a planear ações para bloquear as redes de transporte levaram a administração do metro de Londres a bloquear a pedido da polícia o acesso à internet nas estações. No entanto, cerca de 55 linhas de autocarro estavam já suspensas, afetando a circulação de meio milhão de pessoas. Sob este pretexto, a polícia metropolitana de Londres anunciou que foi declarada a secção 14 da lei de ordem pública (Public Order Act 1986), que lhe dá poderes para impor condições sobre como se realizam reuniões na via pública, no sentido de "prevenir desordem pública, danos criminosos ou perturbação séria da vida em comunidade". No seguimento da declaração, a polícia afirmou que os manifestantes podem continuar em Marble Arch, mas têm de deixar os outros três pontos de concentração.

Noutros pontos do mundo continuam a registar-se ações. Em Haia, ativistas ocuparam ontem as instalações do Tribunal Penal Internacional. Por cá, dezenas de ativistas estiveram segunda-feira à porta do Hotel Ritz em Lisboa, protestando contra a reunião da Associação Internacional de Comércio de Emissões (IETA), que reúne várias petrolíferas e empresas de energia. Na terça-feira, irromperam no estúdio da CMTV, interrompendo o programa matinal para ler um alerta para a emergência climática.

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