Um desfile de Victoria Beckham na semana da moda de Londres não seria o local em que esperaríamos encontrar um protesto ambiental. Mas o movimento Extinction Rebellion escolheu este evento para o seu mais recente protesto. Diziam pretender “convidar a indústria da moda a juntar-se à rebelião” e questionar os seus responsáveis sobre as formas destes utilizarem a sua influência para “para a tendência ao sobreconsumo”.
Este simpático convite veio na forma de bloqueios de estradas e de sabotagens várias das deslocações das equipas da Fashion Week. Os carros do evento, patrocinados pela Mercedes Benz, foram barrados. O Extinction Rebellion considerou as consequências do seu protesto como “inconvenientes menores” face às “consequências catastróficas” que enfrentamos no futuro.
Para além disso, os manifestantes vestiram-se “como se fossem para o mais glamoroso funeral” de forma a recordar-nos que esta indústria é das mais poluidoras e “uma fonte significativa de devastação ecológica”.
Clare Farrel, uma das fundadoras do grupo e especialista em moda sustentável, em declarações ao jornal britânico The Guardian disse que “a situação em que estamos, enquanto planeta, não é culpa” deste evento “mas este é parte do problema”.
As ações do movimento ambientalista seguem-se a um encontro com os organizadores na passada quinta-feira no qual questionaram “quem quer a indústria da moda ouvir, a juventude e o futuro ou as palavras da nossa atual primeira-Ministra cujo governo negligencia criminosamente as responsabilidades acordadas pelo Reino Unido no acordo de Paris face à emergência ecológica.” Portanto, os ambientalistas queriam que esta indústria escolhesse se queria ser ou não “uma força de mudança cultural – declarando emergência climática e agindo consequentemente.” Na ausência de uma resposta clara, partiram para o protesto.
We are disrupting #LFW to invite the #fashion industry to Join Us in rebellion. We all need to wake up to the #climate and #ecological #emergency and to use our influence to save all life and the future #extinctionrebellion #rebelforlife pic.twitter.com/qCqjxaioqV
— Extinction Rebellion (@ExtinctionR) 17 de fevereiro de 2019
Consideraram assim que a organização preferiu o “business as usual” a dizer “a verdade sobre o clima e a emergência ecológica”. Na carta enviada ao British Fashion Council lembraram que em 15 anos “o consumo global de roupas duplicou” e um acontecimento como a semana da moda de Londres “encoraja este crescimento insustentável”.
Festas, funerais e bloqueios ambientais por toda Grã-Bretanha
Esta ação segue-se às manifestações de jovens que aconteceram a semana passada no âmbito da greve climática às aulas que também acontecerá em Portugal no próximo dia 15 de março e de um conjunto de outras iniciativas
Milhares de jovens manifestam-se na Grã-Bretanha contra as alterações climáticas
organizadas pelo Extinction Rebellion no passado fim de semana: o centro de Bristol foi encerrado por uma festa com música e dança para pressionar a Câmara Municipal a agir sobre as mudanças climáticas, também em Cardiff houve um ajuntamento com canções e sensibilização ambiental, na Cornualha mais de cem ativistas realizaram um “funeral das comunidades costeiras”, em Brighton às 11 horas e por 11 minutos, encenou-se a morte de 11 pessoas para lembrar que “apenas nos restam 11 anos”, em Nottingham os ativistas fizeram uma passeata que parou em sítios simbólicos do ponto de vista do desperdício como o McDonalds.