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Extinction Rebellion: mais ações no Ministério da Agricultura e refinaria de Matosinhos

Grupo ambientalista Climáximo realizou mais ações de protesto associadas à semana de iniciativas por todo o mundo convocada pelo movimento Extinction Rebellion. Ministério da Agricultura e refinaria de Matosinhos foram os alvos mais recentes.
Protesto junto ao Ministério da Agricultura, 18 de abril de 2019. Foto Climáximo.
Protesto junto ao Ministério da Agricultura. Foto Climáximo.

A semana de rebelião global pelo clima convocada pelo movimento Extinction Rebellion continua a registar ações um pouco por todo o mundo. Por cá, o movimento Climáximo associou-se à convocatória com uma série de ações. Após ter invadido uma emissão da CMTV e a sede da EDP, o Ministério da Agricultura a refinaria da Galp em Matosinhos foram os alvos de mais ações de protesto esta quinta-feira.

No Terreiro do Paço, junto ao Ministério da Agricultura, ativistas encenaram uma reunião entre o ministro Capoulas Santos e o ministro dos negócios estrangeiros da China, com o primeiro a receber do segundo um cheque "com aquilo que o nosso país terá que pagar com os seus recursos naturais, impactos ambientais e sociais para a produção de animais para consumo humano".

O cheque é uma referência aos acordos estabelecidos com a China aquando da visita recente de Xi Jinping a Portugal. "Enquanto o governo português assina contratos com governos e empresas internacionais" que "promovem subsídios para que os agricultores produzam de forma intensiva o necessário para responder a estes contratos", afirma a Climáximo, "parecem ser esquecidas as consequências que estes contratos trarão ao nosso país e ao planeta", como a depredação de "recursos naturais valiosíssimos como a água, a terra e o ar".

Os ativistas alertam que a agricultura e pecuária intensiva como hoje se pratica é "uma das indústrias mais poluentes que temos", e está a gerar problemas ambientais em grande escala, como o abate de florestas para criação de animais e a produção de forragens, ou a contaminação de ecossistemas devido ao excesso de dejetos animais em explorações intensivas. Consideram que existe na agricultura uma "oportunidade real de criar empregos com transição justa", transformando-a de uma atividade "extremamente poluente" para uma forma de "proteção do ecossistema que sustenta a vida humana" — mas não com as atuais políticas.

A Norte, ativistas compareceram na refinaria de Matosinhos, que fez este ano 50 anos, para lhe dirigir um feliz aniversário original. Num comunicado lido à porta das instalações, a Climáximo lembrou que a unidade de Matosinhos é a sexta maior emissora de gases de efeito de estufa no país, que tem de reduzir estas emissões 60 a 70% nos próximos 15 anos só para cumprir o Acordo de Paris.

"As contas são boas de fazer, não podemos continuar a utilizar combustíveis fósseis, nem a construir novas infraestruturas como gasodutos e oleodutos e a fazer contratos de prospeção de gás como é o caso das concessões da Bajouca e de Aljubarrota", afirma o comunicado.

Ao invés, para a Climáximo é preciso "avançar urgentemente para uma transição energética justa e promover as energias de fontes renováveis com mais potencial em Portugal que são a Eólica, a Solar e a Marítima". Assim, o aniversário de refinaria de Matosinhos é assinalado com ironia: "Parabéns Petrogal! Mas chegou a hora de te reformares".

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