Numa conferência de imprensa realizada na noite da passada terça-feira, o general brigadeiro Itzik Cohen disse aos jornalistas que as forças militares terrestres do Estado sionista estão próximas de uma “evacuação completa” do norte de Gaza e confirmou que “não há intenção de permitir que os residentes do norte da Faixa de Gaza regressem às suas casas”.
Para além disso, acrescentou que as Forças de Defesa de Israel vão permitir a entrada “regular” de ajuda humanitária na parte sul do território mas não no norte porque, alega, já “não há mais civis lá”, outra afirmação que faz temer o pior.
Durante o último mês, o exército israelita intensificou ainda mais a sua ofensiva no norte de Gaza mas tinha vindo a negar que o objetivo fosse a expulsão sistemática da população desta zona. Esta é a primeira declaração de um alto responsável militar que confirma o que tinha vindo a ser denunciado por várias organizações não governamentais.
A ideia de intensificar ataques e cortar a ajuda humanitária de forma a obrigar a população nesta parte da Faixa a fugir para sul e considerar quem resta como sendo combatentes do Hamas consta da proposta chamada “o plano dos generais”, vinda de um grupo de militares na reserva, apresentado ao governo há mais de um mês.
As Nações Unidas estimam que continuem a viver no norte da Faixa de Gaza cerca de 400.000 pessoas. Joyce Msuya, secretária-geral adjunta para Assuntos Humanitários da ONU e coordenadora adjunta de Assistência de Emergência desta organização, explica que estes civis vivem agora numa situação “cerco brutal quase total” e estão “à fome enquanto o mundo assiste”.
Netanyahu demite Gallant, milhares manifestam-se contra o Governo
Estas declarações são acompanhadas com a notícia da demissão do ministro da Defesa, Yoav Gallant. O primeiro-ministro Netanyahu tinha invocado uma “crise de confiança” para afastar este membro do seu executivo com o qual tinha divergências, nomeadamente por causa das declarações deste a favor de um acordo que permitisse o regresso dos reféns e de uma comissão de inquérito independente sobre os ataques do Hamas a 7 de outubro do ano passado. Foi imediatamente substituído pelo ministro dos Negócios Estrangeiros Israel Katz.
Depois da demissão, dezenas de milhares de pessoas manifestaram-se nas ruas de cidades como Telavive, Haifa e Jerusalém contra o Governo e foram reprimidos com canhões de água. Em Telavive houve dezenas de prisões.
O jornalista do Haaretz Amos Harel considera que a demissão deve ser lida em conjunto com a eleição de Trump como presidente dos EUA, ficando Netanyahu agora com “poucos limites” às suas ações de guerra e podendo “deixar de se preocupar com as condenações dos EUA quando continuar a promover legislação antidemocrática”.
Entretanto, continuam os ataques tanto em Gaza como no Líbano. Em Gaza, foram mortas esta manhã pelas forças sionistas 27 pessoas, a maioria no norte do território, de acordo com fontes médicas citadas por aquele jornal israelita. No centro do Líbano, socorristas retiraram 30 corpos na sequência de um ataque das FDI a um edifício. De acordo com o ministro da Saúde do país, 40 pessoas morreram e 53 ficaram feridas por causa de bombardeamentos aéreos esta madrugada no leste, no vale de Bekaa e na cidade de Baalbek.
No total, desde 7 de outubro do anos passado foram mortas em Gaza pelo exército israelita pelo menos 43.391 pessoas e 102.347 foram feridas. No Líbano, desde o início desta fase dos ataques israelita, foram assassinadas pelos sionistas 3.050 pessoas e feridas 13.658.