Ex-Colégio Almeida Garrett: O Porto não precisa de mais um hotel de luxo

15 de novembro 2017 - 17:40

Universidade do Porto vendeu as instalações do ex-Colégio Almeida Garrett, situadas em pleno centro do Porto, à Real Douro, imobiliária dedicada à atividade turística. Bloco defende que este negócio “não serve o interesse da cidade, dos seus estudantes e habitantes”.

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Foto da página de facebook do Colégio Almeida Garrett-Porto-Praca Coronel Pacheco.

Num comunicado intitulado “Ex-Colégio Almeida Garrett: o Porto não precisa de mais um hotel de luxo”, a coordenadora concelhia do Bloco de Esquerda do Porto refere que, situadas em pleno centro da cidade, "as instalações do ex-Colégio Almeida Garrett constituem um património público muito importante" para o município.

“Ali funcionaram diversas valências da Faculdade de Engenharia e, mais recentemente, as atividades da Academia Contemporânea do Espetáculo (ACE). O local continua até hoje a servir o Teatro Universitário do Porto (TUP) e parte da atividade da ACE”, lembra o Bloco, defendendo que “vender estas instalações a uma imobiliária dedicada à atividade turística, para ali instalar mais um hotel de luxo na baixa do Porto, não serve o interesse da cidade, dos seus estudantes e habitantes”.

Para os bloquistas, a decisão de venda das instalações, “anunciada de forma brusca e repentina por parte da Universidade do Porto (UP)”, não justifica o silêncio da Câmara Municipal do Porto (CMP) e, sobretudo, do Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior.

No comunicado é, inclusive, assinalado que, ainda no final 2015, a Câmara Municipal do Porto anunciou a “recuperação e ampliação do antigo Colégio Almeida Garrett para instalação do Centro de Competências de Envelhecimento Ativo e Saúde do Norte”, a partir dos fundos comunitários destinados ao Plano de Ação de Regeneração Urbana (PARU).

O Bloco realça que “o Porto é uma cidade onde escasseiam os espaços de criação cultural públicos e as valências universitárias dedicadas à ação social”, sendo que “os estudantes universitários são dos primeiros a sofrer os impactos da especulação imobiliária alimentada pelo afluxo turístico, enfrentando os enormes aumentos no mercado de arrendamento”.



“Entregar o ex-Colégio Almeida Garrett à atividade hoteleira é abdicar de um património público que bem poderia ser utilizado para colmatar a falta de alojamento universitário acessível e de qualidade, dando aos estudantes um espaço para a criação cultural e comunitária”, lê-se na missiva.

Os bloquistas rematam assinalando que "cabe à UP zelar pelos equipamentos ao dispor dos seus alunos e não ser um agente imobiliário". Já ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior “cabe tomar uma posição pública sem se esconder atrás da autonomia da UP" e à CMP “explicar o silêncio em todo o processo, justificando o não exercício do direito de preferência na compra do edifício”.

A Real Douro - Promoção e Gestão Imobiliária, SA, da Real Douro, apresentou o preço mais alto (6,1 milhões de euros), sendo a vencedora do concurso público lançado no verão para a venda do Ex-Colégio Almeida Garrett.

De acordo com informação disponível na internet, a empresa, com sede em Marco de Canaveses, tem como atividade a "compra e venda de prédios e todas as demais operações legalmente permitidas sobre imóveis, compra de imóveis para revenda, investimentos, promoções e gestão imobiliários, exploração de empreendimentos agrícolas e turísticos, turismo de habitação, agroturismo e turismo rural, hotelaria e similares e comércio em geral".