A inclusão de projetos de energia nuclear e gás na categoria de investimentos sustentáveis até 2030 foi a proposta mais polémica na revisão da taxonomia proposta pela Comissão Europeia.
Esta terça-feira, os eurodeputados das comissões de Ambiente e Economia chumbaram aquela intenção por 76 votos contra 62 e quatro abstenções.
Para a eurodeputada Marisa Matias, trata-se de uma "importante vitória" e "urge agora que esta posição prevaleça na sessão do plenário em Julho", afirmou nas redes sociais.
Um porta-voz da Comissão veio defender a proposta de incluir a energia nuclear e o gás como investimentos "verdes", afirmando serem um instrumento para a descarbonização. Este argumento já tinha sido rebatido pela comissão científica da própria comissão.
Para o economista diretor de políticas europeias da organização ambientalista WWF, aprovar essa classificação "iria prejudicar gravemente a credibilidade da taxonomia". Ao EU Observer, Sebastian Godinot acrescenta que até as agências de rating como a Moody's ou a Standard and Poor excluem os projetos de gás e energia nuclear das suas notações "verdes". Ou seja, "a atual taxonomia da UE iria ser pior" do que o que é praticado no setor privado.
As alterações à taxonomia europeia terão um impacto significativo na escolha de investimentos por parte de autoridades públicas e investidores privados, ao definirem se estão ou não alinhados com os objetivos ambientais e de redução de emissões da UE. Durante meses, o lóbi do nuclear, associado à França, e do gás, associado aos países do leste europeu, pressionaram a Comissão até conseguirem fazer valer os seus interesses na proposta apresentada e agora chumbada em comissão parlamentar.