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“Estratégias de descolonização das cidades” em debate em Lisboa

O ciclo de debates organizado pelo Goethe-Institut Portugal arranca a 30 de junho e parte dos exemplos dos espaços públicos de Lisboa e Hamburgo.

O projeto "ReMapping Memories Lisboa - Hamburg" pretende identificar lugares do colonialismo no espaço urbano nas duas cidades e promove um segundo ciclo de debates que juntará políticos, ativistas e investigadores em torno de estratégias para uma descolonização definitiva e sustentada das cidades.

Segundo a agência Lusa, o projeto propõe “pensar a relação da cidade com a colonialidade: o modo como o colonialismo, a resistência anticolonial e a presença africana são transmitidos na memória coletiva, nos vestígios materiais e no espaço público das cidades portuárias de Lisboa e Hamburgo”.

Os debates têm como tema geral “Como descolonizar as nossas cidades?” e começam esta quarta-feira com a conferência sobre “Políticas e práticas de memória para a cidade como um todo”. Entre os oradores estará a vereadora da Cultura da Câmara Municipal de Lisboa, Catarina Vaz Pinto, o conselheiro da Memória Democrática de Bacelona, Jordi Rabassa Moçons, a fundadora da Djass – Associação de Afrodescendentes e candidata bloquista à Câmara de Lisboa, Beatriz Gomes Dias, e Kodjo Valentin Glaeser, do conselho consultivo para a descolonização de Hamburgo.

Em seguida realiza-se a conferência sobre as “Contranarrativas: novas toponímias, vestígios anticoloniais, histórias esquecidas”, acerca de propostas concretas para a descolonização das cidades, incluindo um projeto para tornar visíveis em Lisboa os sinais da presença africana ao longo dos séculos e a reflexão sobre os debates levantados pela negociação da mudança de nomes de ruas em Hamburgo e Berlim. Participam José Lino Neves, da Associação Batoto Yetu, que vai abordar "A memória da presença africana em Lisboa", Tahir Dela, da associação Decolonize Berlin, que intervirá sobre o tema "Renomear as ruas como um processo negocial", e Gisela Ewe, do Arquivo Público de Hamburgo, que falará sobre "Um plano municipal para lidar com as toponímias".

A 1 de julho há uma conferência dedicada ao tema “Monumentos (anti)coloniais, espaços para abrir debate?”, com a participação de Joachim Zeller, historiador de Berlim, com uma intervenção sobre "O Monumento a Wissmann em Hamburgo – Recontextualizar o passado", de Anja Hesse, da Câmara Municipal de Braunschweig (Alemanha), acerca de "O Monumento Colonial de Braunschweig – A intervenção artística como contranarrativa", de Evalina Dias, da Djass - Associação de Afrodescendentes, de Judite Primo, do Centro de Estudos Interdisciplinares em Educação e Desenvolvimento, sobre "Memorial de Homenagem às Pessoas Escravizadas – Entre a memória e amnésia coletiva", e do artista berlinense Philip Kojo Metz, que fará uma intervenção subordinada ao tema "Nada mais – Vazios (pós)coloniais no espaço urbano".

O dia 1 de julho conta ainda com um debate sobre “Como projetar as cidades anticoloniais e antirracistas do futuro?”, com a participação Cristina Roldão, investigadora do CIES-ISCTE - Centro de Investigação e Estudos de Sociologia e  Natasha A. Kelly, especialista em ciências da comunicação, escritora, investigadora em comunicação e artista em Berlim.

Os links para acesso online aos debates já estão disponíveis quer para o dia 30 de junho, quer para o dia 1 de julho.

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