Estado injeta 100 milhões de euros na TAP

19 de dezembro 2012 - 18:27

Estado injeta 100 milhões na TAP para assegurar necessidades imediatas de tesouraria. Na véspera da reunião do Conselho de Ministros, que irá decidir sobre o processo de privatização da empresa, os trabalhadores da transportadora aérea voltam a insurgir-se contra a venda da TAP. A deputada bloquista Ana Drago afirmou que as Comissões de acompanhamento só servem para “branquear o processo”.

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O Estado vai injetar 100 milhões de euros na TAP, por forma a asseverar as necessidades imediatas de tesouraria da empresa. A operação terá duas fases: ainda esta semana, o Estado entregará à TAP 50 milhões, sendo o restante disponibilizado no primeiro mês de 2013.

A necessidade de financiamento da TAP já era esperada, contudo, estando a decorrer o processo de privatização, a transportadora aérea via-se impedida de recorrer à banca, pelo que será a Parpública a assegurar a transferência desta verba.

Com a venda da TAP, o Estado arrecadará somente 20 milhões de euros

Germán Efromovich, o empresário brasileiro, naturalizado colombiano, e que recentemente adquiriu um passaporte polaco e abriu uma sucursal no Luxemburgo, o que lhe permitiu contornar a legislação europeia que proíbe a propriedade das transportadoras aéreas europeias por não-comunitários, reduziu em 15% o valor inicialmente oferecido pela transportadora aérea.

A atual proposta de aquisição da TAP, que estará amanhã em discussão na reunião do Conselho de Ministros, prevê o pagamento de uma verba total de 1,52 mil milhões de euros pela compra da empresa, contudo, este valor é repartido em 1,2 mil milhões de euros para assumir a dívida da empresa, 300 milhões para injetar no capital social da transportadora e só 20 milhões de euros serão destinados ao Estado, o equivalente a um pequeno avião da TAP.

Trabalhadores da TAP protestam contra privatização da empresa

Esta terça-feira, cerca de 800 funcionários da TAP estiveram reunidos em plenário, tendo posteriormente promovido uma marcha entre a sede da TAP, perto do aeroporto de Lisboa, e o terminal das partidas. Esta quarta feira, está, por sua vez, a decorrer uma vigília junto ao Conselho de Ministros, que teve início às 16h.

Para a Comissão de Trabalhadores da empresa, o processo de privatização em curso traduzir-se-á no “fim da TAP tal como ela é hoje". "Estamos a falar de cerca de 15 mil pessoas que vivem quase em exclusivo do trabalho da TAP, estamos a falar de um país que tem dificuldades a nível de segurança social e de uma empresa que põe nos cofres da segurança social cerca de 100 milhões de euros por ano. Estamos a falar de um Governo preocupadíssimo com a greve dos portos e estamos a falar de um Governo que quer privatizar a maior exportadora nacional", afirmou o porta voz da CT Vítor Baeta.

No final de uma reunião promovida entre o secretário de Estado dos Transportes e os sindicatos que representam os trabalhadores, André Teives, porta-voz das estruturas sindicais presentes no encontro, defendeu, por sua vez, que a companhia “não pode ser vendida a saldo” e que este “é o pior momento para [a TAP] ser vendida nos últimos 100 anos”. O representante sindical mostrou-se, no entanto, convencido de que “o negócio vai avançar”.

Comissões de acompanhamento servem para “branquear o processo”

Na terça feira, a deputada bloquista Ana Drago afirmou que as comissões de acompanhamento das privatizações da TAP e da ANA têm como objetivo o “branqueamento deste processo”.

“É uma comissão que lava mais branco certamente, porque não se compreende como assumem funções neste quadro, com este calendário definido e com tudo o que é importante já estabelecido", avançou Ana Drago, referindo-se ao facto de as duas comissões estarem em funções há uma semana e prestarem declarações no Parlamento a dois dias da decisão sobre a privatização das empresas.