“Governo prepara-se para vender TAP a preço de saldo”

11 de dezembro 2012 - 15:03

Com a privatização da TAP, “o Estado arrecadará apenas vinte milhões de euros”, “o custo de um pequeno avião da TAP. É esse o mau negócio que o Governo pretende fazer", denunciou o coordenador do Bloco de Esquerda João Semedo. Dirigente sindical considera “inenarrável” que os trabalhadores não tenham sido ouvidos e “inadmissível” que os postos de trabalho não tenham sido garantidos.

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O coordenador do Bloco de Esquerda João Semedo denunciou que com a privatização da TAP, “o Estado arrecadará apenas vinte milhões de euros”, “o custo de um pequeno avião da TAP" - Foto de Manuel de Almeida da Lusa

No final de uma reunião do Bloco de Esquerda com representantes de oito sindicatos da TAP, João Semedo declarou à comunicação social: “O Governo prepara-se para vender a TAP a preço de saldo. O Governo está apressado, porque quer tapar o buraco das contas públicas que criou ao longo deste ano com a sua política de austeridade e de recessão económica. O Bloco de Esquerda é contra a privatização da TAP, contra a sua entrega a preço de saldo e por isso nos bateremos na Assembleia da República e fora dela”.

Sublinhando que a TAP é “uma riqueza e um bem precioso para a economia” de Portugal, o coordenador do Bloco de Esquerda denunciou: "Feitas as contas, o Estado arrecadará apenas vinte milhões de euros. Para as pessoas terem noção, 20 milhões de euros é o custo de um pequeno avião da TAP. É esse o mau negócio que o Governo pretende fazer".

André Teives, presidente do presidente do sindicato dos técnicos de handling de aeroportos (STHA), disse que é “inenarrável” que os sindicatos não tenham sido “recebidos por qualquer instância governamental durante todo o processo de privatização da TAP”, considerando que “é impossível desenvolver um processo de privatização, de um grupo cujo maior ativo são os trabalhadores, sem ouvir os trabalhadores e sem informar os trabalhadores sobre o que pretendem fazer com o grupo TAP”.

André Teives salientou ainda “que é inacreditável, como se faz um processo destes, numa empresa que tem 13.000 trabalhadores sem ouvir os trabalhadores, à revelia de tudo e de todos” considerando “inadmissível” que não tenham sido garantidos “os postos de trabalho”, “o desenvolvimento da empresa” e “que o sacrifício que os trabalhadores fizeram nos últimos 10 anos vai estar salvaguardado no futuro”.

O presidente do STHA afirmou ainda que os sindicatos tudo farão “para que o processo seja suspenso”, exigindo “ouvir e ser ouvidos”, e frisando que querem “participar obviamente naquilo que é o futuro de uma empresa que é de todos os portugueses”.