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Guarda Civil espanhola promove “batalha campal” contra mineiros

Segundo noticia o Público espanhol, agentes anti motim da Guarda Civil espanhola entraram esta terça feira na cidade de Ciñera, em León, e desencadearam uma verdadeira “batalha campal “contra os mineiros. Registaram-se, pelo menos, duas detenções.
"Marcha do carvão" dos mineiros - Foto CC OO.

O prefeito de La Pola de Gordon, município a que pertence Ciñera, afirmou que os agentes "tomaram a cidade", disparando balas de borracha pelas ruas. Francisco Castanon, do Partido Popular espanhol, descreveu os acontecimentos como uma “batalha campal”, lamentando esta nova incursão da Guarda Civil na cidade.

 

Durante a manhã, um grupo de 60 mineiros cortou a estrada N-630 e a ferrovia para as Astúrias em protesto contra os cortes de 63% impostos no setor, o que terá despoletado a carga policial.

Dirigentes sindicais manifestaram o seu apoio à luta dos mineiros e teceram duras críticas ao governo

Segundo divulga a RTVE, esta terça feira, a “marcha do carvão” chegou à cidade de Medina del Campo, em Valladolid, proveniente de Tordesillas, a uma distância de 23 quilómetros. Os mineiros reuniram-se com os líderes sindicais Cándido Méndez (UGT) e Ignacio Fernández Toxo (CCOO ) a 11 quilómetros do fim do percurso.

Estes dirigentes sindicais manifestaram o seu apoio à luta dos mineiros e teceram duras críticas ao governo.

Ignacio Fernández Toxo acusou o ministro da Indústria José Manuel Soria de convocar “uma reunião com os sindicatos do setor mineiro para não apresentar qualquer solução e lançar mais gasolina no fogo".

Cándido Méndez sublinhou, por sua vez, que o governo está sempre disponível para financiar os bancos mas não quer atribuir os 200 milhões de euros ao setor mineiro que, segundo este sindicalista, seriam necessários para evitar a destruição de mais de 30.000 empregos.

A marcha procedente das Astúrias e Léon continuará esta quarta feira até Arévalo (Ávila), naquela que constitui a etapa mais extensa do percurso, com mais de 33 quilómetros.

“ A marcha avança por vós”

Numa carta enviada pelos mineiros que participam na “marcha do carvão” aos seus companheiros que se bloquearam nas minas de Candín e Santiago de Hunosa, e que é citada pela RTP Astúrias, é sublinhado que a marcha com destino a Madrid só foi possível graças à ação “carregada de determinação e coragem” protagonizada pelos mineiros que se encontram no interior das minas.

"A ‘marcha do carvão’ avança por vós. Recordamos-vos a cada passo, tal como o fazem tantas pessoas que nos abordam para que vos transmitemos mensagens de apoio e que perguntam por vós, pelo estado físico e anímico em que se encontram. Era necessário dizer-vos isto para que em nenhum momento se esqueçam de que não estão sós”, avançam na carta.

A luta dos mineiros no interior das minas “é a mais dura”, sublinham ainda, pedindo aos companheiros nessa situação para se lembrarem que “é por uma causa justa e digna” face às políticas “lamentáveis e injustas” do governo espanhol.

“Estamos orgulhosos de vós. Todos juntos conseguiremos”, concluem.

Deputado do PP: “O que o governo está a fazer com o setor mineiro é um erro e um disparate”

O deputado do PP por Léon, Juan Morano, pediu o seu afastamento do partido e do grupo parlamentar após ter sido suspenso do PP por ter quebrado a disciplina de voto durante a votação do Orçamento do Estado. Juan Morano, que se opôs aos cortes orçamentais no setor do carvão, afirmou, após as votações, estar “com a consciência tranquila”.

Em declarações ao El Mundo, Morano afirmou que “o que o governo está a fazer com o setor mineiro é um erro e um disparate” e que “as regiões mineiras estão numa situação muito deteriorada, assim como os mineiros, as suas famílias e todos os habitantes dessas zonas”.

Morano foi sancionado economicamente, juntamente com cinco outros senadores, por desobedecer à disciplina de voto imposta pelo PP e ter votado ao lado da oposição para manter o financiamento do setor mineiro.

Izquierda Unida acusa governo de não ceder espaços municipais aos mineiros

A Izquierda Unida da Comunidade de Madrid acusa o governo espanhol de negar a cedência de espaços municipais aos mineiros que participam na “marcha do carvão”, ainda que tenha cedido estas mesmas instalações aos peregrinos da Jornada Mundial da Juventude (JMJ), evento organizado pela igreja Católica, em agosto do ano passado. Os representantes da Izquierda Unida irão solicitar a cedência destes espaços nos plenários municipais das diferentes localidades madrilenas.

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