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Mineiros das Astúrias iniciam marcha de 19 dias a pé

Mais de 180 mineiros começaram nesta sexta feira a “marcha do carvão” que percorrerá o Estado espanhol durante 19 dias e os levará até Madrid, onde chegarão no dia 11 de julho. Os mineiros lutam pela sobrevivência do setor, ameaçado pelos cortes do Governo espanhol impostos pela União Europeia. Sete mineiros estão barricados há 33 dias e deverão continuar o seu protesto nos próximos 19 dias.
"Marcha do carvão" dos mineiros - Foto CC OO

Nesta sexta feira, 22 de junho de 2012, teve início a “marcha do carvão” dos mineiros das Astúrias, que durante os próximos 19 dias irão a pé até Madrid. A marcha é, no início, composta por três colunas que iniciaram o seu percurso nesta sexta feira. Uma coluna com 80 mineiros partiu de Mieres nas Astúrias, outra coluna também com 80 mineiros partiu de Villabino (35) e de Bembibre (35) em Castela e Leão, e uma terceira coluna com 46 mineiros partiu de Andorra (Aragão).

Segundo a informação do site da federação da indústria das Comisiones Obreras (e da página no facebook) na coluna que partiu de Mieres os 80 mineiros estão a ser acompanhados pelo secretário geral da federação da indústria das CC OO (Maximino Garcia) por familiares, vizinhos e amigos e percorrerão no primeiro dia 23 quilómetros até à localidade de Campomanes, onde passarão a primeira noite.

A terceira coluna, partiu às 10.30 horas de Andorra, com grande apoio e participação da população da localidade, no primeiro percurso estão a ser acompanhados por mineiros pré-reformados e percorrerão 13 quilómetros.

A segunda coluna iniciou a marcha às 10 horas, subdividida em dois grupos, um de 35 mineiros que saiu de Bembibre e outro de 45 que partiu de Villablino. Os mineiros iniciaram a marcha, com o apoio da população local, cantando o hino “Santa Barbara bendita”. Com os trabalhadores seguiram também, nesta primeira parte do percurso, familiares e amigos e o secretário geral da federação da indústria de Leão das CC OO.

A agência Lusa fez uma reportagem com os sete mineiros que estão barricados há 33 dias, nas minas de Santa Cruz del Sil, num “espaço de 40 m2” “ acessíveis somente após um trajeto de 20 minutos em composições sobre carris, ao longo de três quilómetros de mina e sob condições de humidade extremas”.

O mineiro Victor Manuel Almeida, conhecido como “El Portugués”, por ser filho de emigrantes de Chaves que foram trabalhar para as minas das Astúrias, diz à Lusa que o objetivo da luta é que o governo espanhol "assegure o que estava acordado", ou seja, o funcionamento das minas até 2018. O setor do carvão das Astúrias, segundo a agência, depende dos subsídios que serão reduzidos em 2012 de 301 milhões de euros para 111 milhões de euros por decisão do governo de Espanha e pela imposição da União Europeia.

“El Portugués” afirma à reportagem: "Se voltarmos a subir não nos respeitam" e conclui que está ali "encerrado" porque senão fica "na rua, que a mina fecha". E acrescenta: "Se for preciso ficar três ou quatro meses até que isto se endireite, então não saímos", admitindo que vai matando as saudades da mulher e filha de 21 anos "diariamente, através do telefone".

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