No seu último discurso do "Estado da União" antes das próximas eleições europeias, Ursula von der Leyen destacou a vertente geopolítica da sua Comissão e voltou a apelar ao apoio incondicional à Ucrânia e ao alargamento da UE. “A conclusão da nossa União é o melhor investimento na paz, segurança e prosperidade do nosso continente. Chegou o momento de a Europa voltar a pensar em grande”, disse a presidente da Comissão Europeia.
Na reação às palavras de von der Leyen, o eurodeputado bloquista José Gusmão afirmou que "foi um discurso muito auto-satisfeito, que ignorou grande arte dos problemas económicos e sociais que a UE enfrenta".
Se por um lado a líder da Comissão "reconheceu implicitamente que a política monetária não está a funcionar, quando disse que vai demorar muito tempo a atingir os objetivos - o que é correto, porque o que está a puxar os preços para baixo é a queda dos preços da energia que não tem nada a ver com política monetária", por outro lado von der Leyen "não disse absolutamente nada sobre a crise económica e social sentida pelas famílias", apontou Gusmão.
"Não disse uma palavra sobre habitação, que é o principal problema dos jovens hoje no acesso à vida independente" no espaço da União Europeia, prosseguiu o eurodeputado do Bloco, que esperava ouvir neste discurso "um reconhecimento das consequências das políticas económicas que estão a ser seguidas".
José Gusmão acrescentou que essas consequências "não afetam só os jovens, mas todas as pessoas que perderam salário real ao longo dos últimos anos, muito por força das políticas económicas que estão a ser seguidas na UE e da desregulação do mercado de trabalho que impede a atualização dos salários ao ritmo da inflação".