A coordenadora do Bloco de Esquerda reagiu em conferência de imprensa às declarações do primeiro-ministro à chegada à cimeira da NATO nos Países Baixos. Luís Montenegro prometeu aumentar a despesa militar para 2% do PIB já este ano e para os 3,5% exigidos por Donald Trump em 2035, ao que acresce mais 1,5% em investimento anual em projetos com utilização não apenas militar.
Cimeira da NATO
Trump exibe bajulação de Rutte, Montenegro promete duplicar gastos militares numa década
Feitas as contas a esta promessa de Montenegro a Rutte e Trump, Mariana Mortágua afirma que “esta meta de 5% dos gastos em defesa em 2035, sendo 3,5% só em armamento, significa em média gastar 450 milhões a mais todos os anos em armamento”. Ou seja, “um país que não consegue assegurar educação, saúde, serviços públicos, está a comprometer-se a gastar mais 450 milhões por ano em armamento apenas para servir as ordens de Trump e do secretário-geral da NATO”.
“Esta subserviência a Trump e à NATO não nos interessa. Ela não defende Portugal e não é sobre defesa, é sobre gastos em armamento que vão retirar orçamento à educação e aos serviços públicos”. Por isso o Bloco condena esta intenção de Montenegro e sublinha o contraste com a postura do governo espanhol, que se recusou a sacrificar a despesa social às ordens de Trump e Rutte.
“Os últimos dias mostraram porque é que esta aliança é perigosa para Portugal e porque é que Portugal se devia desvincular da NATO”, afirmou Mariana Mortágua, referindo-se ao ataque dos EUA ao Irão “que atenta contra o direito internacional” e também à mensagem do secretário-geral da NATO a Donald Trump, que este divulgou e onde Mark Rutte “diz ao Presidente dos EUA que conseguiu convencer os países europeus a gastarem à grande em despesas militares”.
Guerra
Bloco lança petição pelo respeito do direito internacional e contra a guerra
“Nós sabemos qual o interesse dos EUA nos gastos militares europeus: parte deles destinam-se à indústria militar dos EUA”, lembrou Mariana, concluindo que esta aliança militar “é perigosa porque não é um caminho para a paz, obriga-nos a gastar mais em armas e é dominada por quem não tem interesse na paz”.