Começou esta quarta-feira a cimeira da NATO e o principal objetivo do seu secretário-geral Mark Rutte parece ter sido atingido: agradar a Donald Trump com quase todos os países a concordarem com a meta de virem a gastar 5% do seu PIB em despesa militar e de defesa, apesar do impacto desta despesa nos gastos sociais. A exceção ao consenso foi a Espanha, com Pedro Sánchez a obrigar à alteração da declaração final para que essa meta deixasse de ser obrigatória.
E foi o próprio Donald Trump que fez questão de mostrar o seu agrado, publicando nas redes sociais as mensagens bajulatórias de Rutte antes de entrar no avião com destino aos Países Baixos. "Estás a viajar para mais um grande sucesso em Haia esta noite. Não foi fácil, mas temo-los todos comprometidos com os 5%!", escreveu o secretário-geral da NATO, acrescentando que “a Europa vai pagar à GRANDE, como devia, e será uma vitória tua”.
"Donald, tu conduziste-nos a um momento mesmo mesmo importante para a América e para a Europa, e o mundo. Alcançaste algo que NENHUM presidente americano em décadas conseguiu”, prosseguiu Rutte, adotando o estilo de escrita com maiúsculas que Trump usa nas redes sociais.
Na chegada de Trump à cimeira, Rutte fez questão de repetir os elogios diante dos jornalistas e o lado do Presidente dos EUA: “Quero afirmar aqui que sem o Presidente Trump nada disto teria acontecido]. Eu quero dizer isso aqui, e já sei que alguns me vão criticar, mas quando falo com eles todos dizem ‘sim, tens razão’”. O ex-primeiro-ministro holandês voltou a agitar “a ameaça apresentada pela Rússia” e a “situação internacional securitária” para defender que “não há alternativa” que não seja desviar biliões de euros dos orçamentos europeus para a indústria militar.
NATO
Contra-cimeira da NATO teve manifestação este domingo em Haia
Paulo Pinto e Igor Constantino, em Haia
Já o chanceler alemão Friedrich Merz disse à chegada que o aumento da despesa “não é para fazer favores a ninguém”, mas parte “da nossa convicção de que a NATO como um todo e em particular a parte europeia tem de fazer mais”. A posição desalinhada dessa “convicção” por parte do governo espanhol foi criticada ainda antes do início da reunião pelo primeiro-ministro grego Kyriakos Mitsotakis, que sublinhou ter sido um dos maiores defensores do aumento de despesa militar da Europa. A Grécia é dos países que gasta mais em Defesa, há muito ultrapassando os 3% do seu PIB. “O sentido de uma aliança é garantir que haja uma partilha justa dos encargos e que não haja a sensação de que certos países estão a aproveitar-se do compromisso de defesa de outros países”, disse Mitsotakis, defendendo que a meta dos 5% devia ser obrigatória para os 32 países da NATO.
O primeiro-ministro português também falou aos jornalistas à chegada à cimeira e falou de uma “nova ambição no âmbito de segurança e defesa”, em que “para isso teremos de investir mais em defesa e atingir os 2%” este ano. Luís Montenegro deixou ainda a promessa de "fazer um investimento nos próximos 10 anos para atingir os 3,5%" em gastos militares que a meta da NATO prevê, a que acresce mais 1,5% do PIB gastos em projetos com dupla utilização. Em 2024, o país gastou 1,55% do PIB com despesas militares, pelo que o comproisso de Montenegro equivale a mais do que duplicar a despesa anual numa década.