Trabalho

Motor do crescimento salarial é o emprego estável, diz Banco de Portugal

05 de janeiro 2026 - 15:14

Estudo divulgado pelo Banco de Portugal contraria o argumento de Luís Montenegro de que a precarização trazida pelo pacote laboral resultaria em melhores salários.

PARTILHAR
pessoas atravessam passadeira
Foto de Paulete Matos

O Boletim Económico de dezembro do Banco de Portugal inclui um artigo das economistas Sónia Félix e Ana Catarina Pimenta intitulado “Contributo da mobilidade laboral para a variação agregada dos salários reais”. Segundo o artigo citado esta segunda-feira pelo Diário de Notícias “os resultados mostram que o crescimento dos salários em Portugal é sustentado essencialmente pelos trabalhadores que permanecem nas empresas”.

A análise publicada considerou os trabalhadores do setor privado que estão a tempo inteiro e com remuneração acima de 80% do salário mínimo entre 2011 e 2024, a partir dos microdados da Segurança Social. Os trabalhadores que permanecem na empresa em dois meses consecutivos — que representam a maioria dos trabalhadores — “são o principal motor do crescimento salarial, contribuindo em média 1,6 pontos percentuais (pp) por ano”, enquanto “as novas contratações têm, em média, salários mais baixos do que os trabalhadores que permaneceram na empresa, exercendo um efeito negativo sobre o crescimento dos salários agregados (–2,5 pp em média)”.

A conclusão vem mais uma vez provar que a estabilidade no emprego é o que mais contribui para o crescimento salarial, numa altura em que o Governo apresenta um pacote laboral que procura aumentar o número de trabalhadores com contratos a prazo e facilitar os despedimentos. Uma intenção justificada pelo primeiro-ministro na sua mensagem de Ano Novo com a vontade de “criar melhores empregos e garantir salários dignos”.

O estudo diz também que o contributo do crescimento salarial dos trabalhadores com estabilidade no emprego é “pró-cíclico”, ou seja, é maior em períodos de crescimento e negativo em períodos de recessão. Numa altura em que a economia continua a ter níveis de emprego recorde e desemprego baixo, é essa progressão salarial que tem permitido avanços no poder de compra destes trabalhadores que representam a maioria da população empregada em Portugal.