Solidariedade

Protesto exigiu ao Governo que condene o ataque de Trump à Venezuela

05 de janeiro 2026 - 22:20

Concentração em Lisboa juntou mais de mil pessoas ao final da tarde contra a agressão dos EUA à Venezuela. Ministro Paulo Rangel insiste que “há aspetos benignos que saem desta intervenção”.

PARTILHAR
Concentração em Lisboa
Concentração em Lisboa. Foto de António Pedro Santos/Lusa

A concentração convocada pelo Conselho Português para a Paz e Cooperação em Lisboa juntou mais de mil pessoas junto à estátua de Simón Bolívar na Avenida da Liberdade.

Isabel Camarinha, a ex-líder da CGTP que preside ao CPPC, exigiu do Governo português “uma clara condenação da agressão militar dos Estados Unidos à Venezuela, em consonância com os princípios da Constituição portuguesa, que preconiza o respeito pela soberania e os direitos dos povos e a eliminação de todas as formas de dominação nas relações entre Estados".

Num protesto que contou a presença de dirigentes do do PCP e do Bloco de Esquerda e forte participação de pessoas das comunidades latino-americanas em Lisboa, as palavras de ordem não pouparam o presidente dos EUA. "Donald Trump, sua besta assassina, tira as tuas mãos da América Latina" foi um dos cânticos entoados no protesto.

Alguns dos presentes trouxeram bandeiras da Venezuela, de Cuba e cartazes com a mensagem  “A América Latina não é o quintal dos EUA” ou reclamando a libertação de Nicolás Maduro, que foi esta segunda-feira presente a um juiz nova-iorquino para identificação e se declarou “prisioneiro de guerra”. A próxima sessão está agendada para 17 de março.

O dirigente bloquista Alexandre Abreu  acusou o governo português de “subserviência cobarde” e falta de capacidade de defender o direito internacional numa situação de flagrante violação, sublinhando que a intenção “descarada” dos EUA passa pela apropriação das reservas de petróleo venezuelano. E alertou para as novas ameaças de Trump ao México, Cuba e Colômbia, e que já se estendem à Gronelândia. 

EUA

A guerra de Trump à América Latina tem de ser parada

por

Branko Marcetic

04 de janeiro 2026

Também esta segunda-feira, o ministro dos Negócios Estrangeiros português voltou a dizer que  “há aspetos benignos que saem desta intervenção”, dando o exemplo da retirada de Nicolás Maduro da Presidência. Paulo Rangel admitiu em declarações à RTP Notícias que o ataque dos EUA do passado sábado “pode pôr em causa a legalidade internacional e a Carta das Nações Unidas”, mas diz que ninguém deseja regressar à situação anterior, pelo que agora “temos de trabalhar também com os EUA para que a solução política e governativa que venha a emergir traga estabilidade, segurança e, essencialmente, um processo democrático”.

Termos relacionados: SociedadeVenezuela