O primeiro-ministro espanhol garantiu no domingo que Espanha irá gastar 2,1% do seu PIB na despesa com a Defesa. “Nem mais, nem menos”, afirmou Pedro Sánchez ao anunciar o acordo alcançado com a NATO para retirar da declaração final o compromisso de todos os membros da aliança militar de virem a gastar 5% do seu PIB.
NATO
Contra-cimeira da NATO teve manifestação este domingo em Haia
Paulo Pinto e Igor Constantino, em Haia
Pedro Sánchez disse que a percentagem fixada por Donald Trump e Mark Rutte é “desproporcionada, desnecessária” e incompatível com o Estado social. “Respeitamos a vontade legítima dos outros países de aumentar o seu investimento na defesa, se assim o desejarem, mas não o faremos”, prosseguiu Pedro Sánchez, depois de ter ouvido o presidente dos EUA criticar o seu país por “pagar pouco” na NATO.
Para o primeiro-ministro espanhol, cada membro da NATO tem o direito de decidir “se quer assumir ou não os sacrifícios” que implicam esse enorme aumento de despesa militar. “Como país soberano, decidimos não o fazer”, sublinhou Sánchez.
Na prática, a iniciativa espanhola obrigará a mudanças na redação da declaração final da cimeira da NATO desta semana em Haia. Na versão que o secretário-geral da organização, Mark Rutte, tinha proposto, lia-se que “todos os aliados” e “cada um dos aliados” se comprometiam com aquela meta dos 5% do PIB. Na nova versão isso já não acontece, havendo uma menção genérica a “aliados” e sem especificar uma obrigação para todos alcançarem essa percentagem, dissociando-a dos “objetivos de capacidade” afetos a cada país membro.
Outro resultado da negociação foi uma troca de cartas oficiais entre o governo espanhol e a NATO, em que Rutte assume que o acordo na cimeira dará a Espanha a flexibilidade para determinar o seu próprio caminho soberano para alcançar os objetivos de capacidade e os recursos anuais para esse efeito, incluindo a percentagem do PIB que entenda oportuna. Na resposta, o governo espanhol agrade a “compreensão” e compromete-se a não bloquear a aprovação da declaração final da cimeira e a cumprir os seus objetivos, destinando a isso as percentagens de despesa militar que entenda necessárias e oportunas.
Segundo o diário online espanhol Publico.es, as contas do executivo confirmavam o elevado custo social do que afirmam ser uma “imposição política” dos EUA e da NATO. “Para passar de 2% para 5% até 2035, seria necessário gastar mais 350 mil milhões de euros, o que só seria possível aumentando os impostos de cada trabalhador em cerca de 3 mil euros por ano, eliminando os subsídios de desemprego, de doença e de maternidade, reduzindo todas as pensões em 40% ou cortando para metade o investimento do Estado na educação”, disse o primeiro-ministro na conferência de imprena.
Também o ex-responsável pela diplomacia da UE, Josep Borrell, veio publicamente em defesa do executivo espanhol, afirmando nas redes sociais que a meta dos 5% do PIB “é um objetivo arbitrário para satisfazer Trump” e que não é justificável para “alcançar as capacidades interoperacionais estabelecidas pela NATO” nem pode ser conseguido “sem pôr em causa outros objetivos societais”. Quando ocupava o cargo de Alto Representante para a Política Externa da União Europeia, Borrell foi uma das vozes a apelar ao aumento da despesa militar para no mínimo 2% do PIB. A Espanha gastou no ano passado 1,26% do seu PIB em Defesa e Pedro Sánchez prometeu em abril ultrapassar este ano os 2% então requeridos pela NATO.