O subfinanciamento dos colégios de ensino especial levou pais, professores e dirigentes destas instituições a manifestarem-se em frente ao Ministério da Educação esta segunda-feira. O dia foi também escolhido por Catarina Martins para “dar visibilidade às pessoas com deficiência e aos seus direitos, mas também a quem trabalha com elas” numa visita ao Centro de Reabilitação e Integração de Almeirim.
“É intolerável continuarmos a ter promessas e nunca termos execuções, termos leis bonitas sobre inclusão e depois não termos orçamento para a fazer”, afirmou a candidata. “É preciso uma Presidente da República que conheça a situação e que fale dela”, acrescentou.
Presidenciais
Catarina quer um país onde as pessoas com deficiência não sejam “excluídas da cidadania”
Catarina destacou o “bom exemplo” desta instituição fundada em 1978 por iniciativa de um grupo de pais e técnicos ante a inexistência, a nível local, de respostas para crianças e jovens com necessidades educativas especiais, e que hoje é a acolhe mais crianças com deficiência no distrito de Santarém, nomeadamente nos concelhos de Almeirim, Alpiarça, Coruche e Salvaterra de Magos.
Considerando que “o papel de uma Presidente da República é mostrar o que está invisível”, a candidata lembrou que “há muitas pessoas no país que não têm nenhuma resposta” e que os profissionais que trabalham com estas crianças “não têm os salários e as carreiras que deviam ter”.
“Quer no setor público quer nos acordos com IPSS, o Estado acha que estas pessoas podem ganhar salários muito baixos”, prosseguiu Catarina, defendendo que “esta enorme especialização e dedicação devia ser compensada”.
O presidente da direção da CRIAL falou do trabalho de educação e apoio que a instituição presta a 92 crianças e jovens, 21 dos quais em regime interno. ”A deficiência é o parente pobre das respostas sociais”, disse José Carlos da Silva aos jornalistas, lamentando também a falta de financiamento a estas instituições. E deu o seu próprio exemplo: “estou aqui voluntário há três mandatos e se calhar estou a tirar o lugar a uma pessoa licenciada em gestão que pudesse estar aqui, mas o Estado isso não paga nem permite uma situação dessas”
Questionado sobre o que pode fazer um Presidente da República, o dirigente respondeu que “pode chamar a atenção do Parlamento que as creches e os lares são fundamentais, mas os deficientes não podem ser escondidos. Tem de haver financiamento para que possamos tornar estes passos maiores e com mais condições”.