Os direitos e as dificuldades que enfrentam as pessoas com deficiência em Portugal marcaram a agenda de campanha de Catarina Martins esta segunda-feira, num encontro com associações na Casa da Cidadania, em Lisboa.
À saída do encontro, Catarina quis sublinhar que “um Estado de direito democrático exige que as pessoas sejam tratadas com igualdade”, mas em Portugal há cerca de um milhão de pessoas com deficiência e “essas pessoas e as suas famílias têm sido excluídas da cidadania”, seja por causa da ausência de acessibilidades em espaços públicos, a que se somam problemas no acesso ao emprego e à educação nas condições em que devem ter.
Vida Independente
CVI: “Condição de recursos viola Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência”
Catarina defendeu também que “o conceito da vida independente, da autonomia das pessoas com deficiência, é muito importante e é o cumprimento da democracia garantir que assim seja”, pois “não há razão nenhuma para que no século XXI em Portugal quem vive com deficiência ainda seja condenado à pobreza e muitas vezes à institucionalização ou a ficar fechado em casa sem as mesmas oportunidades que todas as pessoas devem ter no nosso país”.
Questionada pelos jornalistas sobre a notícia do inquérito a negócios na Marinha sob alçada de Gouveia e Melo, Catarina reiterou “dois pedidos”: o primeiro é que este tipo de casos “sejam todos investigados até às últimas consequências”; e o segundo é que “esta campanha não seja sobre casos, seja sobre as crises do país”.
“Não nos podemos resignar a um país em que nem sequer as leis que tem e a convenção internacional dos direitos das pessoas com deficiência que assina seja cumprida”, acrescentou.
Catarina pronunciou-se ainda sobre esta eleição presidencial voltar a contar no boletim de voto com o nome e fotografia de pré-candidatos cuja candidatura foi rejeitada pelo Tribunal Constitucional. “Ter no boletim de voto nomes de pessoas que não se candidatam é um absurdo”, afirmou, sublinhando que “é muito difícil explicar” porque é que esta situação ainda não foi resolvida, dado não ser a primeira vez que sucede. Catarina alertou que desta forma “alguns votos que as pessoas podem julgar que são para alguém são na verdade votos nulos”.
A candidata lamentou ainda que não tenha sido possível organizar a eleição com os meios informáticos que permitissem a qualquer pessoa votar em qualquer mesa de voto, dado que se trata de um círculo único.