O Bloco de Esquerda lançou uma petição online pela condenação dos ataques dos Estados Unidos e Israel ao Irão, pelo respeito do direito internacional, pela proibição da utilização das bases no território nacional nesta escalada militar e pelo reconhecimento da Palestina como um ponto essencial para a paz no Médio Oriente.
Mariana Mortágua justificou-a porque, face a um “mundo cada vez mais perigoso” há “dois caminhos possíveis”. Numa conferência de imprensa esta terça-feira, a coordenadora do Bloco apresentou o primeiro deles como o do secretário-geral da ONU, António Guterres, que condenou os ataques de Israel e Estados Unidos ao Irão e alertou para a necessidade do respeito pela Carta das Nações Unidas e pelo Direito Internacional. Este, avalia, é o fator pelo qual “não estamos em guerra e a política da guerra foi substituída pela diplomacia”.
O Bloco defende este caminho de respeito ao direito internacional, e exige que o Estado português condene os “ataques ilegais” de Israel e Estados Unidos ao Irão.
O outro caminho é o da guerra, que usou a “mentira” sobre as armas nucleares como justificação para o ataque, apesar dos serviços secretos norte-americanos dizerem pouco antes do ataque que esta ameaça não existia. Este caminho é personalizado por Netanyahu e Trump mas “aparentemente a União Europeia e Portugal” também o estão a seguir “por omissão e por cumplicidade”.
A favor desta ideia, a porta-voz bloquista apresenta elementos como a não condenação de Portugal aos ataques ilegais ao Irão, que o nosso país “não fez ver internacionalmente que foi desrespeitado o direito internacional” e “permitiu a utilização da base das Lajes para o reabastecimento de aeronaves dos Estados Unidos da América”.
Relativamente a esta matéria, o partido diz não estar esclarecido, pois “não foi dada nenhuma garantia” que a base das Lajes não tenha sido utilizada no ataque dos Estados Unidos da América ao Irão.
Sobre a Cimeira da Nato atualmente a decorrer, Mariana Mortágua esclarece que Trump e os Estados Unidos da América controlam a organização, defendendo que “o espaço de integração e de coordenação militar portuguesa é a União Europeia, sendo os Estados Unidos da América “neste momento uma ameaça à paz, ao direito internacional e também ao Médio Oriente”.
O partido afirma que “Portugal não deve subserviência a Donald Trump e deve fazer a sua coordenação militar no espaço europeu para sair da aliança da Nato”.