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Escolhas para lideranças da UE são “reforço do eixo franco-alemão”

“Não é difícil adivinhar para onde caminha a UE”, reagiu Marisa Matias às propostas do Conselho Europeu para futuros líderes dos altos cargos europeus. Trata-se de uma “clara cedência ao Grupo de Visegrado”, afirmou a eurodeputada do Bloco.
Angela Merkel e Emmanuel Macron
Angela Merkel e Emmanuel Macron na cimeira do Conselho Europeu. Foto União Europeia.

Após vários dias de negociações, os chefes de governo da União Europeia chegaram a acordo sobre os nomes a propor para chefiar o Conselho Europeu, a Comissão Europeia, o Banco Central Europeu e ocupar o cargo de Alto Representante da União Europeia para a Segurança e Política Externa.

O sucessor de Donald Tusk no Conselho será um liberal, o atual primeiro-ministro belga Charles Michel. A dinamarquesa Margrethe Vestager, que esteve na corrida dos Spitzenkandidaten à presidência da Comissão, deverá continuar vice-presidente. Quanto aos socialistas, a repartição de poder deu-lhes os mesmos cargos que já detinham: o atual chefe da diplomacia espanhola Josep Borrell foi indicado para responsável pela política externa da UE e o próximo presidente do Parlamento Europeu na primeira metade do mandato será alguém indicado pelo grupo parlamentar socialista.

O plano que alguns dos líderes de governo tinham gizado na cimeira do G20 no Japão, que passava por colocar o socialista holandês Frans Timmermans na presidência da Comissão e assim preservar o modelo dos Spitzenkandidaten, acabou por ser bloqueado pelos governos do Grupo de Visegrado (Hungria, Polónia, República Checa e Eslováquia), aliados aos governos de Itália, Croácia, Irlanda, Letónia e Roménia. Tal como Vestager, Timmermans passará também a vice-presidente da Comissão.

Para a liderança da Comissão acabou por ser proposta a atual ministra alemã da Defesa, Ursula Von der Leyen, um nome fora da lista de candidatos ao cargo que os partidos europeus apresentaram antes das eleições de 26 de maio. Também por isso, a aprovação do seu nome por parte dos eurodeputados não está ainda garantida.

O próprio primeiro-ministro português, que participou no processo de negociações nos últimos meses com o objetivo de reforçar uma suposta "frente progressista", disse agora esperar "que o Conselho não tenha subavaliado a importância do PE e a sua capacidade de decisão”. Costa não poupou críticas a Donald Tusk por ter conduzido os três dias de negociações de forma "atabalhoada e caótica", concluindo que o atual presidente do Conselho "não exerceu bem as suas funções”.

Para substituir Mario Draghi no Banco Central Europeu, a nomeação de Von der Leyen para a Comissão frustrou as expetativas do também alemão Jens Weidmann poder vir a assumir o cargo. As portas ficaram abertas para a França propor a nomeação da atual líder do FMI, Christine Lagarde, como a próxima governadora do BCE.

Numa primeira reação ao anúncio dos nomes propostos pelo Conselho Europeu, a eurodeputada bloquista Marisa Matias sublinhou que as escolhas mostram “mais um reforço do eixo franco-alemão”, mas também uma “clara cedência ao Grupo de Visegrado”. “Junta-se a deriva militar, o projecto de Merkel de um exército europeu, a austeridade, a perpetuação das políticas que alimentaram e alimentarão a extrema direita”, referiu Marisa nas redes sociais.

Com a braço-direito de Merkel” à frente da Comissão, a “senhora da Troika” ao leme da política monetária da zona euro, um governante de um país “que detém o recorde de meses sem governo” a chefiar o Conselho que junta os chefes de governo e um político conhecido por “alimentar conflitos” à frente da diplomacia europeia, “não é difícil adivinhar para onde caminha a UE”, conclui Marisa.

 

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