Edifícios em risco

Escolas de Lisboa queixam-se de abandono da autarquia

17 de fevereiro 2026 - 16:02

As chuvas das últimas semanas expuseram os problemas estruturais dos edifícios escolares. Bloco fez levantamento de dezenas de casos graves junto das associações de pais.

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Um dos tetos na Escola Básica Parque Silva Porto
Um dos tetos na Escola Básica Parque Silva Porto. Foto Esquerda.net

A vereadora bloquista Carolina Serrão recebeu respostas de vinte associações de pais sobre o estado do edificado escolar lisboeta num levantamento que serviu de base ao debate na Assembleia Municipal sobre os problemas estruturais nas escolas da cidade. Esta segunda-feira, o Diário de Notícias noticia que três dezenas de agrupamentos já fizeram queixas a Carlos Moedas, mas o problemas tardam em ser resolvidos.

As infiltrações são uma constante em vários agrupamentos como o da escola do Alto da Faia, no Lumiar, ou a de Caselas, no Restelo, onde há pais que deixaram de levar os filhos por temerem “perigo estrutural do edifício. Na EB Luís de Camões há entupimentos crónicos, o polivalente do agrupamento Vergílio Ferreira, em Carnide, está interdito por risco de inundação e choveu nas salas de aula apesar da remoção dos tetos falsos, tal como aconteceu na EB1 Manuel Teixeira Gomes, em Marvila. Problemas de infiltrações e risco de curto-circuito, bem como falta de impermeabilização adequada das salas são outras queixas recorrentes de muitas escolas.

No levantamento que resultou num requerimento dirigido a Carlos Moedas, o Bloco de Esquerda aponta a necessidade de intervenção em 57 escolas. O Bloco acusa o autarca de não dar resposta às centenas de emails de encarregados de educação e diretores de agrupamento e de ter desperdiçado financiamento do PRR que podia ter sido usado para reabilitar as escolas, optando por pedir um empréstimo de 83 milhões à banca.

A intervenção feita durante o mandato em que o Bloco tinha o pelouro da Educação, com base num estudo técnico do LNEC, permitiu resolver falhas urgentes em 22 escolas e levou ao encerramento temporário de outras duas. Mas “durante o mandato passado de Carlos Moedas esse processo foi abruptamente parado”, prossegue o requerimento, lembrando que o autarca “inaugurou as escolas cujos processos foram iniciados em mandatos passados e não iniciou os necessários”.

A vereadora Carolina Serrão questiona o autarca sobre a razão que levou à não continuidade das orientações e prioridades identificadas no estudo do LNEC, nomeadamente no que respeita às necessidades de intervenção prioritária e qual o critério que levou à abertura de concurso para intervenções em apenas cinco escolas, quando estavam 34 identificadas como carecendo de intervenção urgente e 57 como necessária.

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